O Que É Reciprocidade? - CLT Livre

O Que É Reciprocidade?

O que é uma pessoa com reciprocidade?

Reciprocidade significa dar e receber, por isso, é uma condição essencial para a qualidade das relações entre as pessoas. A reciprocidade é uma particularidade de enorme valor na sociedade, porque de acordo com a psicologia social as relações mútuas contribuem para a conservação de normas sociais.

O que é reciprocidade exemplos?

Skip to content Início » Qual é o significado da reciprocidade na nossa vida? Qual é o significado da reciprocidade na nossa vida? O conceito de reciprocidade se refere a uma troca ou acordo firmado entre duas pessoas ou, de forma resumida, ao ato de dar e receber.

  1. Quando alguém recebe um elogio, por exemplo, é comum que responda dizendo que a recíproca é verdadeira, ou seja, que aquilo que foi dito também se aplica a quem falou.
  2. O ato de retribuir faz com que se crie um laço positivo com outras pessoas, e isso vale para qualquer tipo de relação, tanto pessoal como profissional.

Neste artigo, você vai conferir:

  • O que é reciprocidade;
  • Quais são os benefícios que ela produz;
  • Qual é a relação entre a reciprocidade e a empatia;
  • Qual é a sua importância, tanto na vida pessoal como na vida profissional;
  • Quais são as consequências da falta de reciprocidade entre as pessoas;
  • O que nós podemos fazer para desenvolver a reciprocidade;
  • 10 frases incríveis sobre o tema.

Imperdível, não é mesmo? Então, continue a leitura a seguir e saiba tudo sobre o assunto!

Como ser uma pessoa recíproca?

O que é esse princípio? – Ser recíproco é devolver à outra pessoa, na mesma medida, aquilo que ela proporcionou a você. Isso vale tanto para coisas mais simples, como pequenos favores do dia a dia, quanto para situações mais específicas, como empréstimos e troca de presentes.

  1. A reciprocidade é, portanto, uma correspondência mútua entre as pessoas.
  2. Ela se baseia na ideia de tratar os outros com respeito para, assim, merecer ser respeitado da mesma maneira.
  3. De acordo com o sociólogo Alvin Gouldner, essa atitude se encontra nas mais diversas culturas e sociedades, sendo algo universal.

Com isso, você já deve ter ideia de como esse princípio é poderoso, certo? Mas como ele acontece exatamente?

O que é o amor recíproco?

O que significa Recíproco: – Recíproco significa algo presente numa relação entre duas partes, quando existindo de um lado, existe de igual modo no outro. Ou seja, é algo mútuo. Por exemplo, a expressão “ódio recíproco” significa que “ódio” é o sentimento partilhado por ambas as partes, podendo ser duas pessoas ou dois grupos.

  1. Se uma pessoa diz: “prezo muito a nossa amizade” e ouve a resposta “o recíproco é verdadeiro”, significa que essa última tem o mesmo sentimento.
  2. No caso da expressão ” amor recíproco “, o recíproco indica que o amor é correspondido.
  3. Um acordo recíproco tem o mesmo significado de bilateral, ou seja, é um acordo comum entre as duas partes envolvidas.

Neste caso, recíproco é sinônimo de mútuo e envolve as mesmas obrigações para as duas partes que compõem o acordo. Alguns sinônimos de recíproco são: mútuo, correspondente, bilateral, correspondido, mutual e retribuído.

O que é a falta de reciprocidade?

Desestímulo do parceiro – O desânimo pode vir de várias formas – sexual, interesse na conversa, falta de motivação para discutir a relação, dentre outras coisas. Nem sempre um namoro sem correspondência é só quando você quer casar e o outro não. Há mais sinais.

  • Quando você percebe que não há reciprocidade para conversar o que deve ser mudado no envolvimento é um forte sinal de que a relação só se sustenta por causa de você.
  • Relacionamento sem reciprocidade é quando seu parceiro não vibra por você.
  • A pessoa que você ama não se alegra com suas conquistas, te inferioriza, e não quer evoluir com você.

Não há elogios sinceros, críticas construtivas e vontade de estar em sua companhia. Só há uma presença apática como se o relacionamento ocupasse eternamente a zona de conforto. É muito comum parceiros inseguros que tentam minimizar o outro para se sentirem superiores.

O que é reciprocidade em um casal?

O que é amor recíproco e qual é a sua importância? – Portal O amor é um sentimento nobre e que floresce entre diferentes pessoas e de diferentes formas ao longo da vida. Ele é naturalmente positivo quando o amor sentido da pessoa A para a pessoa B é também sentido da pessoa B para a pessoa A, isto é, quando há reciprocidade.

  1. Reciprocidade” é uma palavra que representa muito bem a retribuição, o devolver o bem com o bem.
  2. Quando se trata de relações humanas, o amor recíproco se mostra como a base fundamental para a criação de laços poderosos, em que há cumplicidade, entrega, apoio e compartilhamento.
  3. Sem reciprocidade, os relacionamentos entram em desequilíbrio, pois é exatamente esse doar e receber que os torna equilibrados e sólidos.

Neste artigo, vamos compreender melhor:

  • O que é o amor recíproco;
  • Qual é a sua importância;
  • Quais são os sinais de uma relação em que não existe reciprocidade;
  • O que fazer se você estiver em uma relação assim;

Para saber mais sobre o tema, é só dar continuidade à leitura a seguir! O que é amor recíproco? O amor é um sentimento composto por diversas emoções de uma pessoa para outra: admiração, afeto, carinho, atenção, bem-querer, confiança, cumplicidade, harmonia, respeito etc.

  • Esse sentimento pode surgir entre diferentes pessoas e de formas completamente distintas: entre pais e filhos, entre irmãos, entre namorados, entre amigos, e por aí vai.
  • O conceito de reciprocidade, por sua vez, consiste na correspondência e na mutualidade de sentimentos.
  • Se você ama o seu namorado, e o seu namorado ama você, por exemplo, estamos diante de uma relação de amor recíproco.

Os relacionamentos prosperam quando as pessoas envolvidas se doam uma à outra, demonstrando o que sentem, oferecendo apoio, enfim, compartilhando tanto os momentos de alegria quanto os desafiadores. É esta a essência do amor recíproco: compartilhar, trocar, agregar.

  • Talvez você já tenha vivido um relacionamento sem reciprocidade, ou ao menos presenciado, com pessoas conhecidas, relacionamentos em que apenas uma parte está realmente disposta a fazer as coisas darem certo.
  • E isso não se aplica apenas a namoros ou casamentos, mas também às amizades.
  • Quando apenas uma pessoa se doa, sem receber qualquer retribuição, ela se frustra e sente como se estivesse vivendo o relacionamento sozinha, o que, de alguma forma, é verdade.

Mesmo que conte com uma companhia física, emocionalmente o indivíduo está só. E nenhum ser humano merece viver algo assim, dedicando-se a uma relação em que não há reciprocidade. John Lennon, que costumava falar muito sobre o amor nas suas composições, comparou o sentimento a uma planta preciosa, que não pode ser simplesmente deixada de lado, mas sim que precisa ser regada, cuidada, nutrida.

  • E o amor é realmente isto: um sentimento vivo porque é humano e que, assim como nós, precisa de certos cuidados.
  • Por que o amor recíproco é importante? Em uma relação amorosa, nem sempre os envolvidos têm a mesma opinião ou as mesmas vontades no momento.
  • Dessa forma, às vezes a pessoa A tem que ceder em favor da pessoa B, e, em outras vezes, é a pessoa B quem tem que ceder em favor da pessoa A.

Esse equilíbrio só existe por conta da reciprocidade. Se os dois se amam, conseguem conduzir a relação de forma harmônica. No entanto, se o relacionamento não é recíproco, apenas a pessoa A ama a pessoa B, mas a pessoa B não ama a pessoa A, ao menos não da mesma maneira.

  • Isso gera um desequilíbrio grave, em que apenas a pessoa A cederá, mas nunca a pessoa B.
  • Em longo prazo, ou talvez não tão longo assim, começam a surgir os conflitos, as cobranças e um sofrimento intenso da parte de quem ama e não é correspondido.
  • Por isso, o ideal é sempre procurar um amor recíproco.

Não vale a pena dedicar-se com tanto fervor a alguém que não responde da mesma maneira aos seus sentimentos. Como identificar um amor recíproco? O amor recíproco pode ser difícil de explicar racionalmente, mas é fácil de perceber emocionalmente. Ele surge quando você percebe que os seus sentimentos são correspondidos pela outra pessoa.

Existe uma conexão equivalente, baseada na confiança e na admiração de uma pessoa pela outra, e vice-versa. Esse amor é também mais tranquilo e harmônico, sem ser desenvolvido sobre uma relação de possessividade, ciúme, controle e agressividade. O amor recíproco também dá sinais quando a pessoa sente que pode ser ela mesma na relação, sabendo que, mesmo tendo pontos de desenvolvimento, o outro não deixará de amá-la por conta deles.

Dessa maneira, é importante que os envolvidos em uma relação amorosa demonstrem esse amor com alguma constância, o que pode ser feito por meio de palavras, atitudes, entre outras linguagens do amor.5 perguntas sobre amor recíproco para fazer a si mesmo O autoquestionamento é uma ferramenta poderosa para se conhecer melhor e entender diversas áreas da vida, o que inclui verificar se há reciprocidade nos seus relacionamentos.

  1. Essa pessoa o apoia emocionalmente? Ela o ajuda a superar um momento delicado ou o encoraja a realizar algo que gostaria?
  2. Ela está ao seu lado nos momentos marcantes da sua vida?
  3. Você sente que pode ser totalmente honesto com essa pessoa, mesmo que o que disser possa gerar um conflito?
  4. Ela inspira você de alguma maneira, seja por palavras, seja por atitudes?
  5. Você sente que essa pessoa se preocupa contigo e deseja o seu bem?

Não há pontuação para as perguntas e nem um resultado padrão, uma vez que a intenção é apenas gerar reflexão. Também é preciso consultar a intuição, que é um importante termômetro quando se trata de sentimentos, afinal, costumamos sentir de alguma forma quando nos doamos, e a retribuição não vem.

  • Os diálogos são evitados;
  • Os encontros são desmarcados com alguma frequência, ou não transcorrem com alegria;
  • O ciúme de uma pessoa pela outra torna a relação sufocante, pois limita a liberdade do companheiro;
  • Chantagens emocionais são feitas para que a pessoa convença o companheiro sobre algo;
  • Discussões se tornam cada vez mais frequentes, muitas vezes com agressividade verbal, psicológica ou física;
  • Uma das partes não demonstra carinho ou atenção pela outra — ao menos não na mesma proporção;
  • Uma das partes ameaça encerrar a relação por motivos de pouca importância, fazendo com que a outra se sinta descartável;
  • Um dos envolvidos começa a sentir medo de expor o que sente ao outro, por receio de que a relação termine. Começa a existir um comportamento de submissão e passividade em relação à pessoa amada;
  • Apenas um dos envolvidos se esforça para que a relação tenha paixão, alegria, respeito e confiança;
  • Essa pessoa frequentemente precisa lembrar a si mesma do porquê de estar envolvida naquela relação.

O que fazer se eu estiver envolvido em um amor sem reciprocidade? O grande problema da questão da reciprocidade é que a ausência dela nunca se revela desde o início. O começo das relações sempre parece recíproco, havendo declarações de amor e um comportamento afetuoso.

  • Todavia, com o passar do tempo, os sinais acima começam a aparecer, dando indícios de que uma das partes está mais apaixonada do que a outra.
  • O fato de ser comum não torna a situação menos dolorosa, pois é sofrido não ser correspondido.
  • O sentimento de dói tanto que, em alguns casos, se torna uma dor física.

A boa notícia, porém, é que, como tudo na vida, isso passa, pois a vida é feita de ciclos, e nada permanece igual para sempre. Por mais que pareça que o sofrimento de um amor não correspondido nunca vai passar, ele vai. A dor se transforma e se torna um aprendizado que nos fortalece.

Entretanto, para que isso aconteça, é preciso reconhecer que você está em uma relação em que não há equilíbrio. Existem pessoas que mentem para si mesmas por medo de perderem quem ama, se submetendo a algo doloroso, por medo de sofrerem uma dor que consideram ainda maior. Se você perceber que não há reciprocidade no amor, não há o que fazer, é preciso terminar a relação (a não ser que seja um familiar, é claro).

Você não pode forçar a outra pessoa a amá-la, já que ninguém manda nos sentimentos de ninguém. Por mais que no passado existam memórias felizes, com amor e união, é preciso aceitar a realidade do momento presente, que indica que a paixão terminou para a outra pessoa.

Quais os tipos de reciprocidade?

ARTIGOS AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA Norma pessoal de reciprocidade: evidências de validade e precisão de uma medida Personal norm of reciprocity: evidendence of validity and reliability of a measure Norma personal de reciprocidad: evidencias de validez y precisión de una medida Valdiney Veloso Gouveia I ; Anderson Mesquita do Nascimento II ; Alex Sandro de Moura Grangeiro III ; Tailson Evangelista Mariano IV ; Layrtthon Carlos de Oliveira Santos V I Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil II Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil III Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil IV Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil V Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil Endereço para correspondência RESUMO O presente estudo objetivou adaptar para o contexto brasileiro o Questionário Norma Pessoal de Reciprocidade (QNPR), reunindo evidências de sua validade fatorial e consistência interna. Participaram 203 universitários, com idade média de 20,6 anos (DP = 4,54). Os dados foram analisados separadamente para crenças e comportamentos em reciprocidade. A primeira parte referente às crenças na reciprocidade contou com nove itens, com alfa de Cronbach de 0,66 e saturações variando de 0,33 a 0,65; na parte referente aos comportamentos em reciprocidade, dois componentes emergiram: o primeiro denominado reciprocidade negativa contou com nove itens, com saturações variando de 0,46 a 0,80 e alfa de Cronbach de 0,85 enquanto o segundo componente foi denominado reciprocidade positiva, e contou com sete itens e saturações variando de 0,46 a 0,76, com alfa de Cronbach de 0,74. Concluiu-se que esses achados apoiam a adequação psicométrica deste instrumento, que apresenta evidências de validade e precisão. Palavras-chave: reciprocidade; cooperação; retaliação; medida; validade. ABSTRACT This study aimed at adapting to the Brazilian context the Personal Norm of Reciprocity Questionnaire (PNRQ), gathering evidence of its factorial validity and internal consistency.203 students participated, with average age of 20.6 years (SD = 4.54). Data were analyzed separately for beliefs and behaviors in reciprocity. The first part refers to the beliefs of reciprocity had nine items with Cronbach’s alpha of 0.66 and saturations ranging from 0.33 to 0.65. The part referring to reciprocity behavior emerged two components, the first called negative reciprocity had nine items, with saturations ranging from 0.46 to 0.80 and Cronbach’s alpha of 0.85 as the second component was called positive reciprocity, and had seven items and saturations ranging from 0.46 to 0.76, with Cronbach’s alpha of 0.74. We have concluded that these findings support the psychometric adequacy of this instrument, which shows evidence of validity and reliability. Keywords: reciprocity; cooperation; retaliation; measure; validity. RESUMEN Este estudio objetivó adaptar al contexto brasileño el Cuestionario Norma Personal de Reciprocidad (CNPR), reuniendo evidencias de su validez factorial y consistencia interna. Participaron 203 universitarios, con edad media de 20,6 años (DP = 4,54). Los datos se analizaron por separado para las creencias y comportamientos en la reciprocidad. La primera parte se refiere a las creencias en la reciprocidad y contó con nueve ítems, con alfa de Cronbach de 0,66 y saturaciones entre 0,33 y 0,65. La parte relacionada a los comportamientos en reciprocidad surgió dos componentes, el primero llamado reciprocidad negativa contó con nueve ítems, con saturaciones entre 0,46 y 0,80 y alfa de Cronbach de 0,85. El segundo componente llamado reciprocidad positiva, contó con siete ítems y saturaciones entre 0,46 y 0,76, con alfa de Cronbach de 0,74. Se concluyó que estos resultados apoyan la adecuación psicométrica de este instrumento, que presenta evidencias de validez y precisión. Palabras-claves: reciprocidad; cooperación; represalia; medida; validez. Nas interações sociais, é comum que os indivíduos recompensem quem os favoreça e punam aqueles que os prejudiquem. Esse tipo de comportamento é conhecido como reciprocidade, sendo um princípio básico da maioria das sociedades humanas, orientando as pessoas de diversas culturas ao longo da história, figurando também em leis civis e escritos de crenças religiosas (Hastings & Shaffer, 2008). De fato, assume-se que uma das hipóteses menos controversas em ciências sociais é a de que os seres humanos têm uma tendência geral para retribuir (Gouldner, 1960). Entretanto, segundo Perugini, Galluci, Presaghi, & Ercolani (2003), não há uma unidade conceitual entre os pesquisadores que estudam a reciprocidade. O que se observa é certa conformidade ao considerá-la como uma norma social definidora de um padrão de comportamento recíproco (Gouldner, 1960). Adotando esse entendimento, pode-se concebê-la como um mecanismo capaz de conduzir a formas de predisposições positivas e negativas de comportamento, desencadeando uma ação recíproca em função de um contexto específico. A reciprocidade vem sendo tema de estudos em diversas disciplinas, como Sociologia (Axelrod, 1984), Economia (Dohmen, Falk, Huffman, & Sunde, 2009) e Neurociência (Knoch, Pascual-Leone, Meyer, Treyer, & Fehr, 2006). Porém, isso não é nenhuma surpresa; várias das relações que as pessoas estabelecem são regidas por esse princípio universal, definindo como uma obrigação o ato de retribuir um favor recebido. Esse construto se manifesta em diversos comportamentos cotidianos, como retornar um favor, vingar-se de alguém, fazer trocas proporcionais ou punir um mau comportamento recebido anteriormente. Nesse marco, a norma de reciprocidade parte de duas exigências básicas: (a) deve-se ajudar quem oferece ajuda; e (b) não se deve prejudicar quem proporciona benefícios. Essa norma é evocada em diversas situações, mesmo que não haja uma prescrição legal correspondente; sempre que alguém faz um favor, oferece ajuda ou beneficia outra pessoa, prescreve-se como obrigação moral a retribuição do benefício recebido (Perugini et al,, 2003). A reciprocidade, portanto, visa reagir a um comportamento com outro da mesma valência, isto é, uma ação positiva é retribuída com ações positivas e uma ação negativa com aquelas negativas (Perugini & Galucci, 2001). De acordo com Perugini et al, (2003), a reciprocidade é um objetivo, não somente um meio para atingi-lo, podendo-se identificar um tipo de reciprocidade em que o comportamento e sua motivação são convergentes, apresentando-se como uma norma internalizada. Desse modo, ela é vista como uma preferência individual, pois vai representar uma tendência pessoal a se comportar de maneira recíproca, independentemente de ser ou não usada estrategicamente (Perugini & Gallucci, 2001). Alguns estudos dão suporte a essa ideia, indicando que o comportamento recíproco se apresenta mesmo quando as pessoas interagem anonimamente umas com as outras (Goren & Bornstein, 1999; Rind & Strohmetz, 1999). Esse, contudo, não é um construto unidimensional, como se poderia pressupor. A propósito, Perugini et al, (2003) entendem que é possível distinguir diferentes dimensões da reciprocidade, correspondendo às crenças e aos comportamentos correspondentes. Entende-se que mesmo que a maioria das pessoas endosse determinadas crenças, isso não é garantia de que dita crença terá implicação na conduta do indivíduo. Sendo assim, pode-se pressupor que crenças e comportamentos configuram duas dimensões independentes (Cotterell, Eisenberger, & Speicher, 1992). Por exemplo, se considerada como uma motivação interna, a reciprocidade deve levar a um comportamento, sem que necessariamente seja acompanhada por uma crença de que é vantajoso fazê-lo ou que a maioria das pessoas o faça (Perugini & Galucci, 2001). Quanto ao aspecto comportamental, a reciprocidade apresenta duas formas: uma positiva e outra negativa. Os indivíduos podem ser mais sensíveis a uma ou a outra, indicando-se, por exemplo, sua disposição à cooperação ou à retaliação, respectivamente. No caso, a norma de reciprocidade positiva afirma que as pessoas devem ajudar ou recompensar aquelas que as prestaram um favor ou cooperaram anteriormente (Perugini & Galucci, 2001). Esse tipo de reciprocidade reflete um comportamento pró-social, sugerindo que pessoas com preferências pró-sociais são mais suscetíveis ao comportamento recíproco correspondente ao do parceiro de interação, quando comparadas àquelas mais individualistas (Ackermann, Fleiß, & Murphy, 2014). Com relação à reciprocidade negativa, aqueles que endossam essa norma agem de modo a, percebendo tratamento desconsiderado de alguém, considerar aceitável proceder à retaliação (Restubog, Garcia, Wang, & Cheng, 2010). Essa é especialmente relevante quando for violada a norma sobre como as pessoas devem ser tratadas, de modo que os indivíduos julgam que a vingança é justificada em razão da violação de normas morais, reafirmando padrões de condutas consideradas socialmente adequadas (Barclay, Whiteside, & Aquino, 2014). Tendo em conta os aspectos anteriormente mencionados, Perugini et al, (2003) desenvolveram o Questionário Norma Pessoal de Reciprocidade (QNPR). Sua atenção foi dirigida à reciprocidade como uma norma internalizada, sugerindo esse questionário com o fim de medir diferenças individuais na propensão de segui-la. Nessa direção, visando conhecer a adequação dessa medida, os autores contaram nesse primeiro estudo com uma amostra de 200 participantes da Itália. Elaboraram-se inicialmente 116 itens que consideraram aspectos comportamentais da norma de reciprocidade, adotando o formato lógico “Se A faz α para mim, eu faço β para A”, sendo α e β de mesma valência (positiva ou negativa). O conjunto inicial de itens foi posteriormente reduzido a 68, considerando os critérios de unicidade (representação não redundante) e validade aparente. Desse montante, 52 itens focavam aspectos comportamentais positivos ou negativos de reciprocidade, 16 itens consideravam crenças sobre ambas as formas de reciprocidade como norma comumente utilizada. Tais itens foram respondidos em escala tipo Likert, variando de 1 (Muito falso para mim) a 7 (Muito verdadeiro para mim), contando com uma pontuação mediana (4), correspondendo a neutro; no caso, o respondente precisava indicar em que medida cada um dos itens caracterizava sua forma de pensar ou se comportar. A partir da versão anteriormente descrita, procedeu-se a uma análise de componentes principais, considerando separadamente os itens que representavam os comportamentos positivos e negativos (n = 52) e aqueles que tratavam de crenças (n = 16), uma vez que foram concebidos como dimensões diferentes do construto. Coerente com o teoricamente admitido, os itens comportamentais se agruparam em dois componentes principais, explicando 27,7% da variância; o primeiro agrupou itens da forma negativa de reciprocidade, enquanto o segundo reuniu aqueles de reciprocidade positiva. Ressalta-se que 19 itens da dimensão comportamental apresentaram cargas fatoriais baixas (λ < |0,30|) ou cargas elevadas em mais de um fator, tendo sido assim excluídos. Ademais, visando obter medidas breves que refletissem as formas positiva e negativa de reciprocidade, a versão final considerou apenas os 9 itens com maiores saturações, resultando em uma versão com 18 itens igualmente distribuídos nos dois tipos de comportamentos de reciprocidade. No que se referiu às crenças na reciprocidade, a análise de componentes principais revelou um componente geral, explicando 22,6% da variância; todos os itens apresentaram saturações acima de |0,30|. Procedeu-se ao mesmo critério de contar com número reduzido de itens, selecionando-se os nove que apresentaram maiores saturações. Por fim, contando com uma nova amostra de 951 participantes, os mesmos autores buscaram, em um segundo estudo, reunir evidências da adequação dessa medida com independência do país e sexo, Foi realizada uma análise dos componentes principais para cada parte do questionário, que revelou a mesma quantidade de componentes do estudo 1, ou seja, dois componentes (reciprocidade positiva e negativa) para os comportamentos, explicando conjuntamente 40,8% da variância; e um componente para as crenças na reciprocidade, explicando 27,6% da variância. Esses apresentaram coeficientes aceitáveis de consistência interna para propósitos de pesquisa, Esses coeficientes foram aproximadamente os mesmos nas amostras da Itália e do Reino Unido, variando menos de 0,05. Nesse mesmo estudo, Perugini et al, (2003) realizaram análises fatoriais confirmatórias, observando indicadores de ajuste que sugerem ser uma medida promissora. Especificamente, no caso dos países, em relação aos comportamentos de reciprocidade, embora o CFI tenha ficado abaixo do ponto de corte recomendado na literatura (i.e., 0,90), esse indicador foi meritório (0,85), além de ser observado um valor de RMSEA satisfatório (0,059, PClose = 0,14); resultados similares foram observados para o sexo dos participantes, No caso das crenças na reciprocidade, os resultados foram igualmente similares quando comparados os países e sexos, A importância de adaptar tal medida ao contexto brasileiro também fica evidente por sua utilização em outras pesquisas em contexto internacional (Dohmen et al,, 2009; Schindler, Reinhard, & Stahlberg, 2012). Por exemplo, Dohmen et al, (2009) observaram, por meio do QNPR, que a reciprocidade positiva está relacionada ao recebimento de salários mais altos e trabalho mais produtivo, enquanto a reciprocidade negativa está relacionada à probabilidade maior de estar desempregado. Adicionalmente, Schindler et al, (2012) encontraram evidências de que a saliência de mortalidade é capaz de aumentar significativamente a relevância da norma de reciprocidade, mensurada pelo QNPR. Em suma, observa-se que a medida de reciprocidade, considerando suas duas partes (comportamentos e crenças), reúne indicadores de ajuste que podem ser considerados aceitáveis para propósitos de pesquisa. Dada a escassez de medidas a respeito no Brasil, assim como a importância do construto reciprocidade, que pode explicar parte dos comportamentos pró e antissociais, decidiu-se adaptá-la para esse contexto, reunindo evidências de sua validade fatorial e consistência interna. Método Participantes Participaram deste estudo 203 estudantes universitários do curso de Psicologia de uma instituição de ensino superior pública de João Pessoa (PB). A maioria dos participantes foi do sexo feminino (77,8%) e solteira (87,7%), apresentando idades entre 17 e 50 anos ( M = 20,6, DP = 4,54). Tratou-se de uma amostra de conveniência, tendo participado as pessoas que, presentes em sala de aula no momento da coleta dos dados, dispuseram-se a colaborar voluntariamente. Instrumentos Os participantes responderam a perguntas demográficas (idade, sexo e estado civil) e ao Questionário Norma Pessoal de Reciprocidade (QNPR), o qual foi elaborado originalmente em língua inglesa por Perugini et al, (2003) e compõe-se de duas partes. A primeira é formada por nove itens, medindo a dimensão de crenças na reciprocidade (e.g.: tenho medo das reações de uma pessoa que eu já tenha tratado mal ; ajudar alguém é a melhor política para ter certeza de que ele/ela irá ajudá-lo no futuro ); e a segunda abarca 18 itens igualmente distribuídos para representar dois fatores da dimensão comportamental da reciprocidade: negativa (e.g.: estou disposto a investir tempo e esforço para retribuir uma ação injusta; se alguém é mal-educado comigo, eu me torno mal-educado ) e positiva (e.g.: se alguém faz um favor para mim, estou pronto para retribuí-lo; se alguém é prestativo comigo no trabalho, terei prazer em ajudá-lo ). Conforme indicado previamente, esses itens são respondidos em escala tipo Likert de sete pontos. O QNPR foi traduzido do original em inglês para o português por meio da técnica de tradução reversa ( back translation), Portanto, o questionário foi traduzido do inglês para o português por um pesquisador bilíngue, e, posteriormente, essa versão foi retraduzida para o inglês por um segundo psicólogo também bilíngue. Finalmente, as duas versões foram comparadas com a colaboração de um terceiro pesquisador com habilitação em língua inglesa. Não foi identificada nenhuma necessidade de modificar substancialmente qualquer item da versão em português, que foi empregada nesse estudo, estando disponível ao leitor que a deseje solicitar a um dos autores. Procedimento Os pesquisadores entraram em contato com uma instituição pública de ensino superior com o intuito de obter permissão para a realização da pesquisa. Após a autorização, realizaram-se as aplicações dos questionários com o auxílio de dois colaboradores devidamente treinados, que escolheram as salas de aula de acordo com a conveniência dos professores e estudantes. Obtida a permissão, os questionários foram aplicados em ambiente coletivo de sala de aula, porém respondidos individualmente. Os colaboradores se apresentaram e solicitaram a participação dos estudantes presentes, dando-lhes as instruções para o preenchimento do questionário, explicando os objetivos da pesquisa e permanecendo em sala de aula até o término da aplicação para esclarecer eventuais dúvidas. Foi indicado que a participação seria voluntária e que as respostas eram anônimas. O tempo médio para concluir a participação foi de aproximadamente 10 minutos. Essa pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, da Universidade Federal da Paraíba (CEP/UFPB), sob o protocolo de nº 853.004/14. Foram respeitados todos os princípios éticos para a realização de pesquisas com humanos, conforme a resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. Análise dos dados Foi utilizado o pacote estatístico PASW (versão 18) para o tratamento dos dados. Inicialmente foram calculadas estatísticas descritivas (medidas de tendência central e dispersão) e realizou-se um teste t de Student (para amostras independentes) para verificar o poder discriminativo dos itens. Em seguida, procurou-se conhecer a adequação da matriz de correlações interitens para realizar uma análise dos componentes principais, utilizando dois indicadores: o critério de Kaiser-Meyer-Olkim (KMO), que deve ser superior a 0,60 para dar suporte à realização desta análise, e o Teste de Esfericidade de Bartlett, cujo valor do qui-quadrado necessita ser estatisticamente significativo (Tabachnick & Fidell, 2013). Em seguida, com a finalidade de conhecer o número de componentes a extrair, checaram-se diferentes critérios (Kaiser, Cattell e Análise Paralela). Por fim, foi calculada a consistência interna dos componentes resultantes, utilizando-se o coeficiente alfa de Cronbach. Resultados Preliminarmente, esclarece-se que, seguindo os passos adotados quando da elaboração da medida original (Perugini et al,, 2003), os itens foram divididos em duas partes, correspondendo às crenças (nove itens) e aos comportamentos (18 itens), analisando-os separadamente. Isso se justifica em razão de as dimensões envolvidas pertencerem conceitualmente a domínios diferentes. Desse modo, os resultados são apresentados inicialmente para os itens relativos à crença na reciprocidade e, posteriormente, para aqueles referentes aos comportamentos negativos e positivos. Crenças na Reciprocidade Quanto ao poder discriminativo dos itens, para cada construto, calculou-se a respectiva pontuação total, identificando o valor mediano e, a partir desse, definindo os grupos inferior e superior. Os participantes separados nesses grupos-critério foram posteriormente comparados, item a item, empregando o teste t de Student para comparar suas respectivas médias. Todos os nove itens discriminaram satisfatoriamente entre os participantes ( t > 4, p < 0,05). Em seguida foram calculados os indicadores que avaliam a adequação de se proceder a uma análise fatorial a partir da matriz de correlações. No caso, os valores observados apoiaram este tipo de análise: KMO = 0,68 e Teste de Esfericidade de Bartllet, χ 2 (36) = 233,27, p < 0,001 (Tabachnick & Fidell, 2013). Em seguida, objetivou-se conhecer o número de fatores a serem extraídos dessa matriz, realizando-se uma análise de componentes principais sem fixar rotação ou número de fatores a extrair. Nesse caso, consideraram-se três critérios: (1) Kaiser (valores próprios iguais ou superiores a 1); (2) Cattell ( scree plot, isto é, distribuição gráfica dos valores próprios, considerando o ponto em que se configura um "cotovelo"); e (3) análise paralela (simulação dos valores próprios, comparando-os com os reais observados no critério de Kaiser). Segundo o critério de Kaiser, foram encontrados três componentes com valores próprios superiores a 1 (2,51, 1,17 e 1,11), explicando conjuntamente 53,4% da variância total. No entanto, ao observar a distribuição gráfica desses valores próprios (Cattell), verificou-se como sendo mais adequado reter apenas um componente. Com o fim de dirimir dúvidas, realizou-se a análise paralela, utilizando como referência os valores do banco de dados (203 participantes e 9 variáveis), realizando 1.000 simulações, cujos valores próprios superiores a um foram 1,32, 1,21, 1,13 e 1,05. Essa análise deu suporte à existência de um único componente, pois o valor próprio do segundo componente observado (1,17) foi inferior àquele da análise paralela (1,21). Com base nas análises anteriormente citadas, optou-se por fixar a extração de um único componente, procedendo-se a uma nova análise de componentes principais, considerando a saturação mínima de |0,30| para que o item fosse retido no componente. Os resultados a respeito são sumarizados na Tabela 1 : De acordo com a Tabela 1, o componente reuniu nove itens cujas saturações variaram de 0,33 (item 8, Se eu não deixar uma boa gorjeta no restaurante, eu espero que no futuro não serei bem atendido ) a 0,65 (item 7, Eu evito ser indelicado com as pessoas porque eu não quero que os outros sejam indelicados comigo ), que pode ser adequadamente denominado como crenças na reciprocidade, Esse componente apresentou valor próprio de 2,51, explicando 27,9% da variância total. Quanto à sua consistência interna, seu alfa de Cronbach ( α ) foi 0,66. Comportamentos de Reciprocidade Negativa e Positiva No que se refere ao poder discriminativo dos itens dessa dimensão, procedeu-se do mesmo modo que no tópico anterior. Portanto, definiram-se os grupos-critério inferior e superior, que foram comparados item a item por meio do teste t de Student, Excetuando os itens 4 ( t = 1,71, p > 0,05; Se alguém me pede informação educadamente, eu fico realmente feliz em ajudar ) e 12 ( t = 1,47, p > 0,05; Se alguém me empresta dinheiro como um favor, sinto que deveria dar a ele/ela de volta mais do que o estritamente devido ), todos os demais discriminaram satisfatoriamente ( t > 2, p < 0,05). Desse modo, decidiu-se excluir os dois itens mencionados das análises posteriores. Os indicadores KMO (0,83) e Teste de Esfericidade de Bartlett apoiaram a adequação da matriz de correlações para efetuar a análise dos componentes principais. Com o objetivo de conhecer a estrutura fatorial dos itens comportamentais dessa medida, realizou-se uma análise de componentes principais sem fixar rotação ou número de componentes a extrair, considerando, neste caso, os critérios de Kaiser, Cattell e Análise Paralela. De acordo com o critério de Kaiser, três componentes emergiram (4,52, 2,94 e 1,18), explicando conjuntamente 54,1% da variância total. A distribuição gráfica também evidenciou a possibilidade de extrair três componentes, com a inflexão da curva sendo formada após o terceiro componente. Por fim, recorreu-se à análise paralela para dirimir dúvidas sobre a quantidade de fatores a extrair. Utilizando como referência os parâmetros do banco de dados (203 participantes e 16 variáveis), realizando 1.000 simulações, observaram-se oito valores próprios superiores a 1. Contudo, o valor próprio do terceiro componente observado no critério de Kaiser (1,18) foi inferior àquele encontrado na análise paralela (1,31), evidenciando a existência de uma estrutura de dois componentes. Tomando em conta os resultados previamente descritos, considerando principalmente aqueles da análise paralela por ser esta técnica mais robusta, além das evidências teóricas subjacentes (Perugini et al,, 2003), optou-se por realizar uma nova análise de componentes principais, fixando a extração de dois componentes, adotando-se rotação varimax, e saturação mínima de |0,30| para que o item fosse retido no fator. Os resultados dessa análise são mostrados na Tabela 2, É possível verificar na Tabela 2 que o primeiro componente reuniu nove itens com saturações variando entre 0,46 (Item 14. Estou disposto a investir tempo e esforço para retribuir uma ação injusta ) e 0,80 (Item 16. Eu sou gentil e bom se os outros se comportam bem comigo, caso contrário é olho por olho ). Ele apresentou valor próprio de 4,52, explicando 28,3% da variância total, sendo coerentemente nomeado como comportamento de reciprocidade negativa, Sua consistência interna (alfa de Cronbach) foi de 0,85. O segundo componente reuniu os sete itens remanescentes da análise prévia, apresentando saturações variando entre 0,46 (Item 5. Se alguém sugere pra mim os números ganhadores de uma loteria, eu certamente darei a ele/ela uma parte dos meus ganhos ) e 0,76 (Item 6. Se alguém é prestativo comigo no trabalho, terei prazer em ajudá-lo ). Esse apresentou valor próprio de 2,94, explicando 18,4% da variância total. Pareceu evidente nomeá-lo como reciprocidade positiva, Seu alfa de Cronbach ( α ) foi de 0,74. Discussão O presente estudo teve como objetivo principal adaptar e conhecer evidências de validade fatorial e consistência interna do Questionário Norma Pessoal de Reciprocidade. Estima-se que esse objetivo tenha sido alcançado, uma vez que foram reunidas provas da estrutura fatorial dessa medida, partindo de análises exploratórias, usando critérios robustos para verificação da quantidade de componentes a serem extraídos. De fato, os itens relativos às crenças na reciprocidade se organizaram em uma estrutura de um componente, enquanto aqueles comportamentais mostraram uma estrutura de dois componentes, sugerindo que a versão brasileira aqui apresentada corrobora a estrutura encontrada no estudo original (Perugini et al,, 2003). Além disso, os componentes apresentaram coeficientes adequados de consistência interna, que foram próximos aos verificados quando da construção do QNPR. No estudo original de desenvolvimento da escala ( Perugini et al,, 2003), o alfa de Cronbach da amostra total foi de 0,83, 0,76 e 0,67 para reciprocidade negativa, reciprocidade positiva e crença na reciprocidade, respectivamente. Tais valores foram bastante similares aos encontrados neste estudo (0,85, 0,74 e 0,66). Este estudo dá conta de uma medida simples, contando com apenas 25 itens, que, isoladamente ou em conjunto, cumprem o que é recomendado na literatura no que diz respeito à qualidade de suas propriedades psicométricas (Hutz, Bandeira, & Trentini, 2015). Desse modo, esse instrumento pode ser utilizado em pesquisas futuras e aprimorar a compreensão acerca da reciprocidade. Além disso, a relevância deste estudo também se justifica pela ausência, em contexto nacional, de instrumentos que mensurem a reciprocidade, já que foi encontrada apenas uma publicação no Brasil que desenvolve um instrumento para mensurá-la, porém voltado para o contexto específico do trabalho, mais especificamente na reciprocidade percebida entre o empregado e a empresa (Siqueira, 2005). Apesar da relevância do presente estudo, ele não está isento de potenciais limitações, sobretudo no tocante à natureza amostral. Como a amostra foi coletada por conveniência e restringe-se a estudantes universitários de Psicologia, não é possível estender as médias dos níveis de reciprocidade para toda a população brasileira. Contudo, cabe afirmar que o objetivo do estudo não foi esse, mas sim observar a estrutura fatorial mais adequada para a escala de reciprocidade em contexto brasileiro, o que se confia ter sido alcançado com a estratégia metodológica empregada. Nessa direção, é possível afirmar que o QNPR se apresenta como uma ferramenta importante para a mensuração da reciprocidade, possibilitando mensurar adequadamente como as pessoas diferem em relação à essa norma, já que alguns indivíduos podem ser extremamente recíprocos, enquanto outros o são em menor medida (Perugini et al,, 2003). Tais diferenças são importantes porque a reciprocidade também pode se apresentar como uma forma de comportamento pró-social em sua forma positiva, visto que existem evidências sugerindo que pessoas com preferências pró-sociais têm maior propensão a retribuir uma interação pró-social de um parceiro do que aquelas mais individualistas (Ackermann et al,, 2014). Por fim, mesmo tendo sido alcançados os objetivos deste estudo, não significa que se esgotam todas as possibilidades de pesquisa acerca da adequação da medida objeto de análise. Concretamente, estima-se que são necessários novos estudos que tenham em conta a possibilidade de oferecer evidências adicionais sobre seus parâmetros psicométricos em outros contextos culturais, envolvendo pessoas de diferentes áreas de atuação e faixas etárias. Ademais, será importante checar evidências de invariância fatorial dessa medida, considerando o sexo dos participantes, por exemplo. De modo semelhante, poder-se-á pensar em comprovar sua estabilidade temporal (teste-reteste) e evidências de validade preditiva (considerando medidas como perdão, altruísmo e gratidão), mas também validade discriminante, enfocando, sobretudo, a desejabilidade social como um potencial viés de resposta presente em medidas desse tipo, que revelam um sentido de conduta politicamente correta. Do ponto de vista prático, essa escala poderá ser utilizada em estudos de delineamento experimental, uma vez que permite medir a reciprocidade via autorrelato e comparar com os resultados oriundos de medidas comportamentais, tornando possível avaliar se os indivíduos têm uma tendência geral para retribuir e o quanto variações situacionais podem afetar esta tendência. Por último, caberá conhecer ainda os correlatos da reciprocidade, tomando em conta, por exemplo, os valores humanos. Nessa direção, estima-se que pessoas que dão maior importância aos valores interativos e suprapessoais são mais predispostas a crenças e condutas de reciprocidade (Gouveia, Milfont, & Guerra, 2014), e que também se caracterizariam por traços mais altruístas (Gouveia, Santos, Athayde, Souza, & Gusmão, 2014). Referências Ackermann, K.A., Fleiß, J. & Murphy, R.O. (2014). Reciprocity as an individual difference. Journal of Conflict Resolution, DOI: 10.1177/0022002714541854. Axelrod, R. (1984). The evolution of cooperation, New York: Basic. Barclay, L.J., Whiteside, D.B., & Aquino, K. (2014). To avenge or not to avenge? Exploring the interactive effects of moral identity and the negative reciprocity norm. Journal of business ethics, 121,15-28. DOI: 10.1007/s10551-013-1674-6. Cotterell, N., Eisenberger, R., & Speicher, H. (1992). Inhibiting effects of reciprocation wariness on interpersonal relationships. Journal of Personality and Social Psychology, 62,658-668. DOI: 10.1037/0022-3514.62.4.658. Dohmen, T., Falk, A., Huffman, D., & Sunde, U. (2009). Homo Reciprocans: Survey evidence on behavioral outcomes. The Economic Journal, 119,592-612. DOI: 10.1111/j.1468-0297.2008.02242.x. Goren, H. & Bornstein, G. (1999). Reciprocation and learning in the intergroup prisoner's dilemma game. In D.V. Budescu, I. Erev, & R. Zwick (Ed), Games and human behavior: Essays in honor of Amnon Rapoport (pp.299-314). Mahwah, NJ: Erlbaum. Gouldner, A.W. (1960). The norm of reciprocity: A preliminary statement. American Sociological Review, 25,161-178. DOI: 10.2307/2092623. Gouveia, V.V., Milfont, T.L., & Guerra, V.M. (2014). Functional theory of human values: Testing its content and structure hypotheses. Personality and Individual Differences, 60,41-47. DOI: 10.1016/j.paid.2013.12.012. Gouveia, V.V., Santos, W.S., Athayde, R.A.A., Souza, R.V.L., & Gusmão, E.É.S. (2014). Valores, altruísmo e comportamentos de ajuda: Comparando doadores e não doadores de sangue. Psico-PUCRS, 45,209-218. DOI: 10.15448/1980-8623.2014.2.13837. Hastings, B.M. & Shaffer, B. (2008). Authoritarianism: The role of threat, evolutionary psychology, and the will to power. Theory & Psychology, 18,423-440. DOI: 10.1177/0959354308089793. Hutz, C.S., Bandeira, D.R., & Trentini, C.M. (2015). Psicometria, São Paulo: Artmed Editora. Knoch, D., Pascual-Leone, A., Meyer, K., Treyer, V., & Fehr, E. (2006). Diminishing reciprocal fairness by disrupting the right prefrontal cortex. S cience, 314,829-832. DOI: 10.1126/science.1129156. Perugini, M. & Gallucci, M. (2001). Individual differences and social norms: the distinction between reciprocators and prosocials. European Journal of Personality, 15 19-35. DOI: 10.1002/per.419. Perugini, M., Gallucci, M., Presaghi, F., & Ercolani, A.P. (2003). The personal norm of reciprocity. European Journal of Personality, 17,251-283. DOI: 10.1002/per.474. Restubog, S.L.D., Garcia, P.R.J.M., Wang, L., & Cheng, D. (2010). 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Endereço para correspondência: Valdiney Veloso Gouveia Universidade Federal da Paraíba Cidade Universitária, s/n - Campus 1, Bloco C - 2º andar, sala 01, Bairro Castelo Branco II CEP 58051-9000 - João Pessoa, PB - Brasil E-mail: [email protected] Submissão: 8.5.2015 Aceitação: 20.6.2017

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Por que a reciprocidade é importante?

Os psicólogos afirmam: a reciprocidade não é apenas importante no relacionamento. Ela é um princípio valioso para a vida. A reciprocidade e a cooperação são valiosas para a nossa vida pois todos temos pontos fortes e fracos. E é importante trabalhar junto com outras pessoas para atingirmos felicidade e bem-estar.

Qual é o sinônimo de reciprocidade?

Característica do que é recíproco: 1 reciprocação, recíproca, mutualidade, correspondência, correlação, proporção, interdependência, solidariedade.

É bom ser uma pessoa recíproca?

Contribui para a construção de um mundo melhor – A reciprocidade contribui para a construção de um mundo melhor porque quanto mais vamos praticando-a, mais vamos percebendo que o ideal mesmo é fazer o bem por si só. Isso quer dizer que devemos realizar boas ações, tanto sem olhar a quem, quanto sem esperar receber algo em troca.

É preciso ter reciprocidade?

Os psicólogos afirmam: a reciprocidade não é apenas importante no relacionamento. Ela é um princípio valioso para a vida. A reciprocidade e a cooperação são valiosas para a nossa vida pois todos temos pontos fortes e fracos. E é importante trabalhar junto com outras pessoas para atingirmos felicidade e bem-estar.

Como saber se é recíproco?

Pra saber se é recíproco é preciso sentir satisfação. Não é preciso que vocês gostem das mesmas coisas, que queiram sempre tudo igual, que o outro tenha as mesmas reações e desejos que os seus. Mas você precisa sentir que seus esforços estão sendo compensados.

Porque todo amor deve ser recíproco?

Os psicólogos afirmam: a reciprocidade não é apenas importante no relacionamento. Ela é um princípio valioso para a vida. A reciprocidade e a cooperação são valiosas para a nossa vida pois todos temos pontos fortes e fracos. E é importante trabalhar junto com outras pessoas para atingirmos felicidade e bem-estar.

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O que é mais importante em um relacionamento?

Mantendo os relacionamentos – Quando duas pessoas estão juntas e se amam, elas precisam estar em sintonia uma com a outra. Um relacionamento saudável precisa ter alguns pontos principais, como o diálogo, a confiança, o respeito e o amor. Para que se mantenha o relacionamento a dois, é necessário reinventar, sair da rotina, tratar um ao outro de uma maneira carinhosa e fazer elogios.

Depois de anos juntos, as pessoas não se importam com a relação, o que pode gerar um relacionamento desgastado. Então, temos que manter vivo aquele sentimento do inicio da conquista. Muitas vezes, nesse contexto, tendemos a deixar de lado nossos prazeres individuais. E isso não é nada bom, pois começamos a cobrar dos nossos parceiros essa satisfação que perdemos por conta própria.

Essa situação pode colocar o relacionamento em crise. Lembre-se: para fazer alguém feliz, é preciso conseguir se fazer feliz.

Qual é o mínimo em um relacionamento?

Não existe “mínimo” em um relacionamento. Você possui as suas necessidades que a pessoa deve suprir, e alguma dessas prioridades você considera mais importante. Isso é o mínimo para VOCÊ. Você esta certo(a) em exigir o que considera mais importante para você.

  1. Porém, nem todo relacionamento é igual, e uma pessoa pode não estar disposta a suprir essa necessidade.
  2. O que nao a torna errada, apenas não é prioridade para ela.
  3. Relacionamento é um acordo.
  4. Você deve se esforçar em suprir as necessidades dos outros, ao mesmo tempo refletir se deve acomodar caso seu parceiro tenha dificuldade em algo.

Tudo é comunicação. #relacionamento #minimo #amor #namoro #carinho

Até quando vale a pena insistir em um amor não correspondido?

Repense a sua relação. – A partir destas dicas, reflita sobre como vocês estão a levando. Afinal, manter um relacionamento é trabalhoso e inevitavelmente gera conflitos. Saber lidar com os eventuais problemas do cotidiano, respeitar e ser respeitado, ter amor e ter maturidade para lidar com as diferenças são indícios de uma relação saudável.

O que é ser tóxico em um relacionamento?

O que é relacionamento tóxico? – O relacionamento tóxico pode ser resumido pelo desejo de controlar o parceiro(a) pelo só desejo de controlar, de tê-lo apenas para si. Esse comportamento surge aos poucos, sutilmente, e vai passando dos limites, causando sofrimento e dor.

É recíproco e verdadeiro?

Significado da expressão A recíproca é verdadeira (O que significa, Conceito e Definição) A expressão “a recíproca é verdadeira” é utilizada quando uma pessoa quer demonstrar que sente o mesmo em relação à outra, Por exemplo, quando um amigo diz a uma amiga “a nossa amizade é muito importante para mim”, e a amiga pensa o mesmo e quer retribuir as palavras, ela diz “a recíproca é verdadeira”.

  • A expressão tem como base a palavra recíproca, que vem de reciprocidade.
  • Aquilo que é recíproco significa aquilo que é mútuo, que se apresenta como característica das relações entre duas ou mais partes, de forma a estabelecer e manter uma boa convivência.
  • Veja também:,
  • O reforço com o uso da palavra “verdadeira” confirma o sentimento recíproco, dizendo que é verdade, que isto é certo.

Ou seja, “a recíproca é verdadeira” quer dizer que existe reciprocidade. A frase é muito usada em momentos de demonstração de amizade ou de amor. Quando fala-se “a recíproca é verdadeira” nestes contextos, expressa-se em resposta à alguém que demonstrou seu sentimento em relação àquela pessoa ou grupo de pessoas.

  1. Também pode ser usada na afirmação de algo correspondente à duas coisas que não sejam sentimentos e nem relacionadas às pessoas.
  2. Um exemplo é a expressão usual “a arte imita a vida”, que em dado momento pode ser complementada desta forma: “a arte imita a vida, e a recíproca é verdadeira”.
  3. Ou seja, a relação recíproca, de troca, também acontece e a vida imita a arte.

A negação da frase pode ser “a recíproca não é verdadeira”, ou “a recíproca nem sempre é verdadeira”, quando há divergências entre as duas partes relacionadas. Como em “Atitudes compensam palavras, mas a recíproca não é verdadeira” (Ulysses Franco). A tradução para o inglês seria a expressão the opposite is true, ou the reverse is true, assim como a palavra likewise, esta última no sentido de “da mesma forma”.

Quais os tipos de reciprocidade?

ARTIGOS AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA Norma pessoal de reciprocidade: evidências de validade e precisão de uma medida Personal norm of reciprocity: evidendence of validity and reliability of a measure Norma personal de reciprocidad: evidencias de validez y precisión de una medida Valdiney Veloso Gouveia I ; Anderson Mesquita do Nascimento II ; Alex Sandro de Moura Grangeiro III ; Tailson Evangelista Mariano IV ; Layrtthon Carlos de Oliveira Santos V I Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil II Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil III Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil IV Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil V Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil Endereço para correspondência RESUMO O presente estudo objetivou adaptar para o contexto brasileiro o Questionário Norma Pessoal de Reciprocidade (QNPR), reunindo evidências de sua validade fatorial e consistência interna. Participaram 203 universitários, com idade média de 20,6 anos (DP = 4,54). Os dados foram analisados separadamente para crenças e comportamentos em reciprocidade. A primeira parte referente às crenças na reciprocidade contou com nove itens, com alfa de Cronbach de 0,66 e saturações variando de 0,33 a 0,65; na parte referente aos comportamentos em reciprocidade, dois componentes emergiram: o primeiro denominado reciprocidade negativa contou com nove itens, com saturações variando de 0,46 a 0,80 e alfa de Cronbach de 0,85 enquanto o segundo componente foi denominado reciprocidade positiva, e contou com sete itens e saturações variando de 0,46 a 0,76, com alfa de Cronbach de 0,74. Concluiu-se que esses achados apoiam a adequação psicométrica deste instrumento, que apresenta evidências de validade e precisão. Palavras-chave: reciprocidade; cooperação; retaliação; medida; validade. ABSTRACT This study aimed at adapting to the Brazilian context the Personal Norm of Reciprocity Questionnaire (PNRQ), gathering evidence of its factorial validity and internal consistency.203 students participated, with average age of 20.6 years (SD = 4.54). Data were analyzed separately for beliefs and behaviors in reciprocity. The first part refers to the beliefs of reciprocity had nine items with Cronbach’s alpha of 0.66 and saturations ranging from 0.33 to 0.65. The part referring to reciprocity behavior emerged two components, the first called negative reciprocity had nine items, with saturations ranging from 0.46 to 0.80 and Cronbach’s alpha of 0.85 as the second component was called positive reciprocity, and had seven items and saturations ranging from 0.46 to 0.76, with Cronbach’s alpha of 0.74. We have concluded that these findings support the psychometric adequacy of this instrument, which shows evidence of validity and reliability. Keywords: reciprocity; cooperation; retaliation; measure; validity. RESUMEN Este estudio objetivó adaptar al contexto brasileño el Cuestionario Norma Personal de Reciprocidad (CNPR), reuniendo evidencias de su validez factorial y consistencia interna. Participaron 203 universitarios, con edad media de 20,6 años (DP = 4,54). Los datos se analizaron por separado para las creencias y comportamientos en la reciprocidad. La primera parte se refiere a las creencias en la reciprocidad y contó con nueve ítems, con alfa de Cronbach de 0,66 y saturaciones entre 0,33 y 0,65. La parte relacionada a los comportamientos en reciprocidad surgió dos componentes, el primero llamado reciprocidad negativa contó con nueve ítems, con saturaciones entre 0,46 y 0,80 y alfa de Cronbach de 0,85. El segundo componente llamado reciprocidad positiva, contó con siete ítems y saturaciones entre 0,46 y 0,76, con alfa de Cronbach de 0,74. Se concluyó que estos resultados apoyan la adecuación psicométrica de este instrumento, que presenta evidencias de validez y precisión. Palabras-claves: reciprocidad; cooperación; represalia; medida; validez. Nas interações sociais, é comum que os indivíduos recompensem quem os favoreça e punam aqueles que os prejudiquem. Esse tipo de comportamento é conhecido como reciprocidade, sendo um princípio básico da maioria das sociedades humanas, orientando as pessoas de diversas culturas ao longo da história, figurando também em leis civis e escritos de crenças religiosas (Hastings & Shaffer, 2008). De fato, assume-se que uma das hipóteses menos controversas em ciências sociais é a de que os seres humanos têm uma tendência geral para retribuir (Gouldner, 1960). Entretanto, segundo Perugini, Galluci, Presaghi, & Ercolani (2003), não há uma unidade conceitual entre os pesquisadores que estudam a reciprocidade. O que se observa é certa conformidade ao considerá-la como uma norma social definidora de um padrão de comportamento recíproco (Gouldner, 1960). Adotando esse entendimento, pode-se concebê-la como um mecanismo capaz de conduzir a formas de predisposições positivas e negativas de comportamento, desencadeando uma ação recíproca em função de um contexto específico. A reciprocidade vem sendo tema de estudos em diversas disciplinas, como Sociologia (Axelrod, 1984), Economia (Dohmen, Falk, Huffman, & Sunde, 2009) e Neurociência (Knoch, Pascual-Leone, Meyer, Treyer, & Fehr, 2006). Porém, isso não é nenhuma surpresa; várias das relações que as pessoas estabelecem são regidas por esse princípio universal, definindo como uma obrigação o ato de retribuir um favor recebido. Esse construto se manifesta em diversos comportamentos cotidianos, como retornar um favor, vingar-se de alguém, fazer trocas proporcionais ou punir um mau comportamento recebido anteriormente. Nesse marco, a norma de reciprocidade parte de duas exigências básicas: (a) deve-se ajudar quem oferece ajuda; e (b) não se deve prejudicar quem proporciona benefícios. Essa norma é evocada em diversas situações, mesmo que não haja uma prescrição legal correspondente; sempre que alguém faz um favor, oferece ajuda ou beneficia outra pessoa, prescreve-se como obrigação moral a retribuição do benefício recebido (Perugini et al,, 2003). A reciprocidade, portanto, visa reagir a um comportamento com outro da mesma valência, isto é, uma ação positiva é retribuída com ações positivas e uma ação negativa com aquelas negativas (Perugini & Galucci, 2001). De acordo com Perugini et al, (2003), a reciprocidade é um objetivo, não somente um meio para atingi-lo, podendo-se identificar um tipo de reciprocidade em que o comportamento e sua motivação são convergentes, apresentando-se como uma norma internalizada. Desse modo, ela é vista como uma preferência individual, pois vai representar uma tendência pessoal a se comportar de maneira recíproca, independentemente de ser ou não usada estrategicamente (Perugini & Gallucci, 2001). Alguns estudos dão suporte a essa ideia, indicando que o comportamento recíproco se apresenta mesmo quando as pessoas interagem anonimamente umas com as outras (Goren & Bornstein, 1999; Rind & Strohmetz, 1999). Esse, contudo, não é um construto unidimensional, como se poderia pressupor. A propósito, Perugini et al, (2003) entendem que é possível distinguir diferentes dimensões da reciprocidade, correspondendo às crenças e aos comportamentos correspondentes. Entende-se que mesmo que a maioria das pessoas endosse determinadas crenças, isso não é garantia de que dita crença terá implicação na conduta do indivíduo. Sendo assim, pode-se pressupor que crenças e comportamentos configuram duas dimensões independentes (Cotterell, Eisenberger, & Speicher, 1992). Por exemplo, se considerada como uma motivação interna, a reciprocidade deve levar a um comportamento, sem que necessariamente seja acompanhada por uma crença de que é vantajoso fazê-lo ou que a maioria das pessoas o faça (Perugini & Galucci, 2001). Quanto ao aspecto comportamental, a reciprocidade apresenta duas formas: uma positiva e outra negativa. Os indivíduos podem ser mais sensíveis a uma ou a outra, indicando-se, por exemplo, sua disposição à cooperação ou à retaliação, respectivamente. No caso, a norma de reciprocidade positiva afirma que as pessoas devem ajudar ou recompensar aquelas que as prestaram um favor ou cooperaram anteriormente (Perugini & Galucci, 2001). Esse tipo de reciprocidade reflete um comportamento pró-social, sugerindo que pessoas com preferências pró-sociais são mais suscetíveis ao comportamento recíproco correspondente ao do parceiro de interação, quando comparadas àquelas mais individualistas (Ackermann, Fleiß, & Murphy, 2014). Com relação à reciprocidade negativa, aqueles que endossam essa norma agem de modo a, percebendo tratamento desconsiderado de alguém, considerar aceitável proceder à retaliação (Restubog, Garcia, Wang, & Cheng, 2010). Essa é especialmente relevante quando for violada a norma sobre como as pessoas devem ser tratadas, de modo que os indivíduos julgam que a vingança é justificada em razão da violação de normas morais, reafirmando padrões de condutas consideradas socialmente adequadas (Barclay, Whiteside, & Aquino, 2014). Tendo em conta os aspectos anteriormente mencionados, Perugini et al, (2003) desenvolveram o Questionário Norma Pessoal de Reciprocidade (QNPR). Sua atenção foi dirigida à reciprocidade como uma norma internalizada, sugerindo esse questionário com o fim de medir diferenças individuais na propensão de segui-la. Nessa direção, visando conhecer a adequação dessa medida, os autores contaram nesse primeiro estudo com uma amostra de 200 participantes da Itália. Elaboraram-se inicialmente 116 itens que consideraram aspectos comportamentais da norma de reciprocidade, adotando o formato lógico “Se A faz α para mim, eu faço β para A”, sendo α e β de mesma valência (positiva ou negativa). O conjunto inicial de itens foi posteriormente reduzido a 68, considerando os critérios de unicidade (representação não redundante) e validade aparente. Desse montante, 52 itens focavam aspectos comportamentais positivos ou negativos de reciprocidade, 16 itens consideravam crenças sobre ambas as formas de reciprocidade como norma comumente utilizada. Tais itens foram respondidos em escala tipo Likert, variando de 1 (Muito falso para mim) a 7 (Muito verdadeiro para mim), contando com uma pontuação mediana (4), correspondendo a neutro; no caso, o respondente precisava indicar em que medida cada um dos itens caracterizava sua forma de pensar ou se comportar. A partir da versão anteriormente descrita, procedeu-se a uma análise de componentes principais, considerando separadamente os itens que representavam os comportamentos positivos e negativos (n = 52) e aqueles que tratavam de crenças (n = 16), uma vez que foram concebidos como dimensões diferentes do construto. Coerente com o teoricamente admitido, os itens comportamentais se agruparam em dois componentes principais, explicando 27,7% da variância; o primeiro agrupou itens da forma negativa de reciprocidade, enquanto o segundo reuniu aqueles de reciprocidade positiva. Ressalta-se que 19 itens da dimensão comportamental apresentaram cargas fatoriais baixas (λ < |0,30|) ou cargas elevadas em mais de um fator, tendo sido assim excluídos. Ademais, visando obter medidas breves que refletissem as formas positiva e negativa de reciprocidade, a versão final considerou apenas os 9 itens com maiores saturações, resultando em uma versão com 18 itens igualmente distribuídos nos dois tipos de comportamentos de reciprocidade. No que se referiu às crenças na reciprocidade, a análise de componentes principais revelou um componente geral, explicando 22,6% da variância; todos os itens apresentaram saturações acima de |0,30|. Procedeu-se ao mesmo critério de contar com número reduzido de itens, selecionando-se os nove que apresentaram maiores saturações. Por fim, contando com uma nova amostra de 951 participantes, os mesmos autores buscaram, em um segundo estudo, reunir evidências da adequação dessa medida com independência do país e sexo, Foi realizada uma análise dos componentes principais para cada parte do questionário, que revelou a mesma quantidade de componentes do estudo 1, ou seja, dois componentes (reciprocidade positiva e negativa) para os comportamentos, explicando conjuntamente 40,8% da variância; e um componente para as crenças na reciprocidade, explicando 27,6% da variância. Esses apresentaram coeficientes aceitáveis de consistência interna para propósitos de pesquisa, Esses coeficientes foram aproximadamente os mesmos nas amostras da Itália e do Reino Unido, variando menos de 0,05. Nesse mesmo estudo, Perugini et al, (2003) realizaram análises fatoriais confirmatórias, observando indicadores de ajuste que sugerem ser uma medida promissora. Especificamente, no caso dos países, em relação aos comportamentos de reciprocidade, embora o CFI tenha ficado abaixo do ponto de corte recomendado na literatura (i.e., 0,90), esse indicador foi meritório (0,85), além de ser observado um valor de RMSEA satisfatório (0,059, PClose = 0,14); resultados similares foram observados para o sexo dos participantes, No caso das crenças na reciprocidade, os resultados foram igualmente similares quando comparados os países e sexos, A importância de adaptar tal medida ao contexto brasileiro também fica evidente por sua utilização em outras pesquisas em contexto internacional (Dohmen et al,, 2009; Schindler, Reinhard, & Stahlberg, 2012). Por exemplo, Dohmen et al, (2009) observaram, por meio do QNPR, que a reciprocidade positiva está relacionada ao recebimento de salários mais altos e trabalho mais produtivo, enquanto a reciprocidade negativa está relacionada à probabilidade maior de estar desempregado. Adicionalmente, Schindler et al, (2012) encontraram evidências de que a saliência de mortalidade é capaz de aumentar significativamente a relevância da norma de reciprocidade, mensurada pelo QNPR. Em suma, observa-se que a medida de reciprocidade, considerando suas duas partes (comportamentos e crenças), reúne indicadores de ajuste que podem ser considerados aceitáveis para propósitos de pesquisa. Dada a escassez de medidas a respeito no Brasil, assim como a importância do construto reciprocidade, que pode explicar parte dos comportamentos pró e antissociais, decidiu-se adaptá-la para esse contexto, reunindo evidências de sua validade fatorial e consistência interna. Método Participantes Participaram deste estudo 203 estudantes universitários do curso de Psicologia de uma instituição de ensino superior pública de João Pessoa (PB). A maioria dos participantes foi do sexo feminino (77,8%) e solteira (87,7%), apresentando idades entre 17 e 50 anos ( M = 20,6, DP = 4,54). Tratou-se de uma amostra de conveniência, tendo participado as pessoas que, presentes em sala de aula no momento da coleta dos dados, dispuseram-se a colaborar voluntariamente. Instrumentos Os participantes responderam a perguntas demográficas (idade, sexo e estado civil) e ao Questionário Norma Pessoal de Reciprocidade (QNPR), o qual foi elaborado originalmente em língua inglesa por Perugini et al, (2003) e compõe-se de duas partes. A primeira é formada por nove itens, medindo a dimensão de crenças na reciprocidade (e.g.: tenho medo das reações de uma pessoa que eu já tenha tratado mal ; ajudar alguém é a melhor política para ter certeza de que ele/ela irá ajudá-lo no futuro ); e a segunda abarca 18 itens igualmente distribuídos para representar dois fatores da dimensão comportamental da reciprocidade: negativa (e.g.: estou disposto a investir tempo e esforço para retribuir uma ação injusta; se alguém é mal-educado comigo, eu me torno mal-educado ) e positiva (e.g.: se alguém faz um favor para mim, estou pronto para retribuí-lo; se alguém é prestativo comigo no trabalho, terei prazer em ajudá-lo ). Conforme indicado previamente, esses itens são respondidos em escala tipo Likert de sete pontos. O QNPR foi traduzido do original em inglês para o português por meio da técnica de tradução reversa ( back translation), Portanto, o questionário foi traduzido do inglês para o português por um pesquisador bilíngue, e, posteriormente, essa versão foi retraduzida para o inglês por um segundo psicólogo também bilíngue. Finalmente, as duas versões foram comparadas com a colaboração de um terceiro pesquisador com habilitação em língua inglesa. Não foi identificada nenhuma necessidade de modificar substancialmente qualquer item da versão em português, que foi empregada nesse estudo, estando disponível ao leitor que a deseje solicitar a um dos autores. Procedimento Os pesquisadores entraram em contato com uma instituição pública de ensino superior com o intuito de obter permissão para a realização da pesquisa. Após a autorização, realizaram-se as aplicações dos questionários com o auxílio de dois colaboradores devidamente treinados, que escolheram as salas de aula de acordo com a conveniência dos professores e estudantes. Obtida a permissão, os questionários foram aplicados em ambiente coletivo de sala de aula, porém respondidos individualmente. Os colaboradores se apresentaram e solicitaram a participação dos estudantes presentes, dando-lhes as instruções para o preenchimento do questionário, explicando os objetivos da pesquisa e permanecendo em sala de aula até o término da aplicação para esclarecer eventuais dúvidas. Foi indicado que a participação seria voluntária e que as respostas eram anônimas. O tempo médio para concluir a participação foi de aproximadamente 10 minutos. Essa pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, da Universidade Federal da Paraíba (CEP/UFPB), sob o protocolo de nº 853.004/14. Foram respeitados todos os princípios éticos para a realização de pesquisas com humanos, conforme a resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. Análise dos dados Foi utilizado o pacote estatístico PASW (versão 18) para o tratamento dos dados. Inicialmente foram calculadas estatísticas descritivas (medidas de tendência central e dispersão) e realizou-se um teste t de Student (para amostras independentes) para verificar o poder discriminativo dos itens. Em seguida, procurou-se conhecer a adequação da matriz de correlações interitens para realizar uma análise dos componentes principais, utilizando dois indicadores: o critério de Kaiser-Meyer-Olkim (KMO), que deve ser superior a 0,60 para dar suporte à realização desta análise, e o Teste de Esfericidade de Bartlett, cujo valor do qui-quadrado necessita ser estatisticamente significativo (Tabachnick & Fidell, 2013). Em seguida, com a finalidade de conhecer o número de componentes a extrair, checaram-se diferentes critérios (Kaiser, Cattell e Análise Paralela). Por fim, foi calculada a consistência interna dos componentes resultantes, utilizando-se o coeficiente alfa de Cronbach. Resultados Preliminarmente, esclarece-se que, seguindo os passos adotados quando da elaboração da medida original (Perugini et al,, 2003), os itens foram divididos em duas partes, correspondendo às crenças (nove itens) e aos comportamentos (18 itens), analisando-os separadamente. Isso se justifica em razão de as dimensões envolvidas pertencerem conceitualmente a domínios diferentes. Desse modo, os resultados são apresentados inicialmente para os itens relativos à crença na reciprocidade e, posteriormente, para aqueles referentes aos comportamentos negativos e positivos. Crenças na Reciprocidade Quanto ao poder discriminativo dos itens, para cada construto, calculou-se a respectiva pontuação total, identificando o valor mediano e, a partir desse, definindo os grupos inferior e superior. Os participantes separados nesses grupos-critério foram posteriormente comparados, item a item, empregando o teste t de Student para comparar suas respectivas médias. Todos os nove itens discriminaram satisfatoriamente entre os participantes ( t > 4, p < 0,05). Em seguida foram calculados os indicadores que avaliam a adequação de se proceder a uma análise fatorial a partir da matriz de correlações. No caso, os valores observados apoiaram este tipo de análise: KMO = 0,68 e Teste de Esfericidade de Bartllet, χ 2 (36) = 233,27, p < 0,001 (Tabachnick & Fidell, 2013). Em seguida, objetivou-se conhecer o número de fatores a serem extraídos dessa matriz, realizando-se uma análise de componentes principais sem fixar rotação ou número de fatores a extrair. Nesse caso, consideraram-se três critérios: (1) Kaiser (valores próprios iguais ou superiores a 1); (2) Cattell ( scree plot, isto é, distribuição gráfica dos valores próprios, considerando o ponto em que se configura um "cotovelo"); e (3) análise paralela (simulação dos valores próprios, comparando-os com os reais observados no critério de Kaiser). Segundo o critério de Kaiser, foram encontrados três componentes com valores próprios superiores a 1 (2,51, 1,17 e 1,11), explicando conjuntamente 53,4% da variância total. No entanto, ao observar a distribuição gráfica desses valores próprios (Cattell), verificou-se como sendo mais adequado reter apenas um componente. Com o fim de dirimir dúvidas, realizou-se a análise paralela, utilizando como referência os valores do banco de dados (203 participantes e 9 variáveis), realizando 1.000 simulações, cujos valores próprios superiores a um foram 1,32, 1,21, 1,13 e 1,05. Essa análise deu suporte à existência de um único componente, pois o valor próprio do segundo componente observado (1,17) foi inferior àquele da análise paralela (1,21). Com base nas análises anteriormente citadas, optou-se por fixar a extração de um único componente, procedendo-se a uma nova análise de componentes principais, considerando a saturação mínima de |0,30| para que o item fosse retido no componente. Os resultados a respeito são sumarizados na Tabela 1 : De acordo com a Tabela 1, o componente reuniu nove itens cujas saturações variaram de 0,33 (item 8, Se eu não deixar uma boa gorjeta no restaurante, eu espero que no futuro não serei bem atendido ) a 0,65 (item 7, Eu evito ser indelicado com as pessoas porque eu não quero que os outros sejam indelicados comigo ), que pode ser adequadamente denominado como crenças na reciprocidade, Esse componente apresentou valor próprio de 2,51, explicando 27,9% da variância total. Quanto à sua consistência interna, seu alfa de Cronbach ( α ) foi 0,66. Comportamentos de Reciprocidade Negativa e Positiva No que se refere ao poder discriminativo dos itens dessa dimensão, procedeu-se do mesmo modo que no tópico anterior. Portanto, definiram-se os grupos-critério inferior e superior, que foram comparados item a item por meio do teste t de Student, Excetuando os itens 4 ( t = 1,71, p > 0,05; Se alguém me pede informação educadamente, eu fico realmente feliz em ajudar ) e 12 ( t = 1,47, p > 0,05; Se alguém me empresta dinheiro como um favor, sinto que deveria dar a ele/ela de volta mais do que o estritamente devido ), todos os demais discriminaram satisfatoriamente ( t > 2, p < 0,05). Desse modo, decidiu-se excluir os dois itens mencionados das análises posteriores. Os indicadores KMO (0,83) e Teste de Esfericidade de Bartlett apoiaram a adequação da matriz de correlações para efetuar a análise dos componentes principais. Com o objetivo de conhecer a estrutura fatorial dos itens comportamentais dessa medida, realizou-se uma análise de componentes principais sem fixar rotação ou número de componentes a extrair, considerando, neste caso, os critérios de Kaiser, Cattell e Análise Paralela. De acordo com o critério de Kaiser, três componentes emergiram (4,52, 2,94 e 1,18), explicando conjuntamente 54,1% da variância total. A distribuição gráfica também evidenciou a possibilidade de extrair três componentes, com a inflexão da curva sendo formada após o terceiro componente. Por fim, recorreu-se à análise paralela para dirimir dúvidas sobre a quantidade de fatores a extrair. Utilizando como referência os parâmetros do banco de dados (203 participantes e 16 variáveis), realizando 1.000 simulações, observaram-se oito valores próprios superiores a 1. Contudo, o valor próprio do terceiro componente observado no critério de Kaiser (1,18) foi inferior àquele encontrado na análise paralela (1,31), evidenciando a existência de uma estrutura de dois componentes. Tomando em conta os resultados previamente descritos, considerando principalmente aqueles da análise paralela por ser esta técnica mais robusta, além das evidências teóricas subjacentes (Perugini et al,, 2003), optou-se por realizar uma nova análise de componentes principais, fixando a extração de dois componentes, adotando-se rotação varimax, e saturação mínima de |0,30| para que o item fosse retido no fator. Os resultados dessa análise são mostrados na Tabela 2, É possível verificar na Tabela 2 que o primeiro componente reuniu nove itens com saturações variando entre 0,46 (Item 14. Estou disposto a investir tempo e esforço para retribuir uma ação injusta ) e 0,80 (Item 16. Eu sou gentil e bom se os outros se comportam bem comigo, caso contrário é olho por olho ). Ele apresentou valor próprio de 4,52, explicando 28,3% da variância total, sendo coerentemente nomeado como comportamento de reciprocidade negativa, Sua consistência interna (alfa de Cronbach) foi de 0,85. O segundo componente reuniu os sete itens remanescentes da análise prévia, apresentando saturações variando entre 0,46 (Item 5. Se alguém sugere pra mim os números ganhadores de uma loteria, eu certamente darei a ele/ela uma parte dos meus ganhos ) e 0,76 (Item 6. Se alguém é prestativo comigo no trabalho, terei prazer em ajudá-lo ). Esse apresentou valor próprio de 2,94, explicando 18,4% da variância total. Pareceu evidente nomeá-lo como reciprocidade positiva, Seu alfa de Cronbach ( α ) foi de 0,74. Discussão O presente estudo teve como objetivo principal adaptar e conhecer evidências de validade fatorial e consistência interna do Questionário Norma Pessoal de Reciprocidade. Estima-se que esse objetivo tenha sido alcançado, uma vez que foram reunidas provas da estrutura fatorial dessa medida, partindo de análises exploratórias, usando critérios robustos para verificação da quantidade de componentes a serem extraídos. De fato, os itens relativos às crenças na reciprocidade se organizaram em uma estrutura de um componente, enquanto aqueles comportamentais mostraram uma estrutura de dois componentes, sugerindo que a versão brasileira aqui apresentada corrobora a estrutura encontrada no estudo original (Perugini et al,, 2003). Além disso, os componentes apresentaram coeficientes adequados de consistência interna, que foram próximos aos verificados quando da construção do QNPR. No estudo original de desenvolvimento da escala ( Perugini et al,, 2003), o alfa de Cronbach da amostra total foi de 0,83, 0,76 e 0,67 para reciprocidade negativa, reciprocidade positiva e crença na reciprocidade, respectivamente. Tais valores foram bastante similares aos encontrados neste estudo (0,85, 0,74 e 0,66). Este estudo dá conta de uma medida simples, contando com apenas 25 itens, que, isoladamente ou em conjunto, cumprem o que é recomendado na literatura no que diz respeito à qualidade de suas propriedades psicométricas (Hutz, Bandeira, & Trentini, 2015). Desse modo, esse instrumento pode ser utilizado em pesquisas futuras e aprimorar a compreensão acerca da reciprocidade. Além disso, a relevância deste estudo também se justifica pela ausência, em contexto nacional, de instrumentos que mensurem a reciprocidade, já que foi encontrada apenas uma publicação no Brasil que desenvolve um instrumento para mensurá-la, porém voltado para o contexto específico do trabalho, mais especificamente na reciprocidade percebida entre o empregado e a empresa (Siqueira, 2005). Apesar da relevância do presente estudo, ele não está isento de potenciais limitações, sobretudo no tocante à natureza amostral. Como a amostra foi coletada por conveniência e restringe-se a estudantes universitários de Psicologia, não é possível estender as médias dos níveis de reciprocidade para toda a população brasileira. Contudo, cabe afirmar que o objetivo do estudo não foi esse, mas sim observar a estrutura fatorial mais adequada para a escala de reciprocidade em contexto brasileiro, o que se confia ter sido alcançado com a estratégia metodológica empregada. Nessa direção, é possível afirmar que o QNPR se apresenta como uma ferramenta importante para a mensuração da reciprocidade, possibilitando mensurar adequadamente como as pessoas diferem em relação à essa norma, já que alguns indivíduos podem ser extremamente recíprocos, enquanto outros o são em menor medida (Perugini et al,, 2003). Tais diferenças são importantes porque a reciprocidade também pode se apresentar como uma forma de comportamento pró-social em sua forma positiva, visto que existem evidências sugerindo que pessoas com preferências pró-sociais têm maior propensão a retribuir uma interação pró-social de um parceiro do que aquelas mais individualistas (Ackermann et al,, 2014). Por fim, mesmo tendo sido alcançados os objetivos deste estudo, não significa que se esgotam todas as possibilidades de pesquisa acerca da adequação da medida objeto de análise. Concretamente, estima-se que são necessários novos estudos que tenham em conta a possibilidade de oferecer evidências adicionais sobre seus parâmetros psicométricos em outros contextos culturais, envolvendo pessoas de diferentes áreas de atuação e faixas etárias. Ademais, será importante checar evidências de invariância fatorial dessa medida, considerando o sexo dos participantes, por exemplo. De modo semelhante, poder-se-á pensar em comprovar sua estabilidade temporal (teste-reteste) e evidências de validade preditiva (considerando medidas como perdão, altruísmo e gratidão), mas também validade discriminante, enfocando, sobretudo, a desejabilidade social como um potencial viés de resposta presente em medidas desse tipo, que revelam um sentido de conduta politicamente correta. Do ponto de vista prático, essa escala poderá ser utilizada em estudos de delineamento experimental, uma vez que permite medir a reciprocidade via autorrelato e comparar com os resultados oriundos de medidas comportamentais, tornando possível avaliar se os indivíduos têm uma tendência geral para retribuir e o quanto variações situacionais podem afetar esta tendência. Por último, caberá conhecer ainda os correlatos da reciprocidade, tomando em conta, por exemplo, os valores humanos. Nessa direção, estima-se que pessoas que dão maior importância aos valores interativos e suprapessoais são mais predispostas a crenças e condutas de reciprocidade (Gouveia, Milfont, & Guerra, 2014), e que também se caracterizariam por traços mais altruístas (Gouveia, Santos, Athayde, Souza, & Gusmão, 2014). Referências Ackermann, K.A., Fleiß, J. & Murphy, R.O. (2014). Reciprocity as an individual difference. Journal of Conflict Resolution, DOI: 10.1177/0022002714541854. Axelrod, R. (1984). The evolution of cooperation, New York: Basic. Barclay, L.J., Whiteside, D.B., & Aquino, K. (2014). To avenge or not to avenge? Exploring the interactive effects of moral identity and the negative reciprocity norm. Journal of business ethics, 121,15-28. DOI: 10.1007/s10551-013-1674-6. Cotterell, N., Eisenberger, R., & Speicher, H. (1992). Inhibiting effects of reciprocation wariness on interpersonal relationships. Journal of Personality and Social Psychology, 62,658-668. 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