O Que Rousseau Pretende Investigar Na Sua Obra O Contrato Social? - 2024, CLT Livre

O Que Rousseau Pretende Investigar Na Sua Obra O Contrato Social?

O Que Rousseau Pretende Investigar Na Sua Obra O Contrato Social

O quê Rousseau investiga em sua obra Do Contrato Social?

Introdução – Rousseau é influenciado desde que era embaixador em Veneza, por Grotius e Pufendorf, dentre outros, conforme já vimos. Grotius falava, sobre o contrato social, que ele legitima o poder e funda a sociedade civil. Pufendorf falava de dois tipos de pactos: o de associação, no qual a sociedade se mantém depois de cair um governo e o de submissão, no qual o povo e governado por um soberano.

  • Outra influência de Rousseau é Althibius.
  • Rousseau escreveu nas Confissões que a publicação de Emílio foi complicada, e a do Contrato foi bem mais fácil.
  • Emílio era uma obra muito querida por Rousseau era a obra que concluía as suas ideias sobre educação.
  • Nova Heloísa havia feito muito sucesso.
  • Rousseau era um autor consagrado.

Instituições Políticas era a obra que Rousseau mais se entusiasmava, e queria trabalhar nela a vida inteira. Foi dessa obra reduzida, que nasceu o Contrato social. Rousseau atirou as provas originais do seu grande livro no fogo, depois de redigir o Contrato.

Ele achava que as Instituições iam precisar ser muito bem trabalhadas ainda. O livro pretende mostrar qual é o fundamento da ordem social. Ela não vem do direito natural, nem da força, mas de uma convenção, o pacto social. O homem perdeu a liberdade original. Rousseau procura explicar o que torna essa mudança legítima.

A ordem social é um direito sagrado que não existe na natureza e funda-se em convenções. A mais antiga das sociedades é a família, diz Rousseau. O pai tem cuidado com os filhos e por isso sente amor. No Estado, o governante não ama o povo, mas tem prazer em governar.
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O que podemos aprender com a leitura de O contrato social?

Reflexões sobre a leitura de “O Contrato Social” de Jean-Jacques Rousseau A experiência da leitura de “O Contrato Social” foi de contato com uma teoria política que está localizada na fronteira entre o romantismo e o realismo. Pois ora se ergue fortes argumentos em favor da democracia direta e irrestrita como única possibilidade de efetivação da liberdade, e ora essa mesma liberdade é posta a longas léguas das possibilidades políticas ao homem em sociedade.

Em outras palavras, a sensação foi de que há um pêndulo argumentativo na teoria de Rousseau que vai da radicalidade da crítica e do objetivo a se alcançar através da política, e a volta a dura realidade das possibilidades colocadas ao homem, sobretudo, o homem burguês que nada investe a não ser pelo lucro e o proveito próprio.

Esse movimento, creio eu, já pode ser encontrado na famosa frase com que o autor abre o Capítulo I do Livro I: “o homem nasce livre e em toda parte é posto a ferros”. Num primeiro momento, a liberdade existe, aliás é inata, contudo estamos postos a ferro e constrangidos pela sociedade.

Essa primeira frase também contém o problema que Rousseau está se colocando a resolver na obra, qual seja, como, vivendo em sociedade, o homem pode ser livre? Seguindo os passos de Milton Meira do Nascimento, em texto sobre o autor, se no livro “Discurso sobre a Origem da Desigualdade”, Rousseau se preocupa em fundamentar como a sociedade corrompe os homens, posto que esses naturalmente nascem bons e valorosos, é no livro “O Contrato Social” que o filósofo vai propor o caminho de volta.

Isto é, como a sociedade, que ora corrompeu o homem e constrangeu sua liberdade, pode, digamos, botar-lhe em contato com sua própria natureza e dar-lhe novamente a liberdade, não mais a natural pois essa ficou para trás, mas uma superior, a liberdade civil? Diferente do que se estabeleceu vulgarmente sobre o autor, o caminho à liberdade civil não se dá através da Democracia por excelência.

A Democracia para Rousseau é mais uma forma de governo cuja eficiência para a realização de uma verdadeira República de cidadãos livres depende de diversos fatores como a quantidade da população, a capacidade produtiva, os costumes, o grau de desigualdade entre os habitantes, etc. Ou seja, não há uma forma de governo definitiva ou ideal.

Aliás, esse é um ponto forte, pois qualquer democrata fervoroso se surpreenderia com a afirmação do autor quando diz que “se houvesse um povo de deuses, ele se governariam democraticamente. Um governo tão perfeito não convém aos homens”. Eis o realismo que apontei e o pêndulo a funcionar.

  1. Contudo, essa afirmação serve para dar ênfase de que a questão de Rousseau não se resolve de uma forma simples, como elegendo uma forma de governo.
  2. O ponto principal é que, os homens, ao se depararem com todas as dificuldades da vida – no “estado de natureza”, onde reina o egoísmo e competição –, ao ponto de verem ameaçada sua própria sobrevivência, percebem que vão perecer se não mudarem sua maneira de ser.

Sendo um contratualista, Rousseau utiliza a lógica do contrato para entender os movimentos da sociedade. Assim, a questão que os homens se colocam é expressa da seguinte maneira, como uma necessidade objetiva, é preciso: “Encontrar uma forma de associação que defenda e proteja com toda a força comum a pessoa e os bens de cada associado, pela qual cada um, ao unir-se a todos, obedeça somente a si mesmo e continue tão livre quanto antes”.

Esse é o problema que o contrato social pode resolver. Mas antes de chegarmos ao contrato propriamente dito, vejamos com calma o duplo problema que a humanidade se colocou no seu desenvolvimento segundo o autor. A primeira parte da questão é a mesma que inspira Hobbes, qual seja, “uma forma de associação que defenda e proteja com toda força comum a pessoa e os bens de cada um”, isto é, um Estado soberano que garanta a segurança e a produção da vida e das pessoas.

É na segunda parte da proposição que Rousseau avança, pois a associação deve ser de tal forma, que além de garantir a vida deve garantir a liberdade, pois “o homem deve obedecer somente a si mesmo e continuar tão livre quanto antes”. Para Hobbes isso é impossível, pois a liberdade é justamente a razão da guerra e da miséria humana, o Estado hobbesiano se baseia na alienação da liberdade que é entregue ao Soberano.

  1. Rousseau, ao contrário, defende que a questão sobre a liberdade não se resolve dessa forma, pois nenhum homem pode entregar sua liberdade, essa é uma falsa questão, pois ela é inata e se alguém o fizer dessa forma não está em pleno juízo.
  2. Por isso a segunda parte do problema tem de ser respondida: como viver em sociedade em liberdade? O contrato social proposto por Rousseau para resolver a questão – através do qual se funda a sociedade política e o homem deixa o “estado de natureza” e passa ao “estado civil” –, parte da alienação total de cada associado, com todos os seus bens, à comunidade inteira: “cada um de nós põe em comum sua pessoa e todo o seu poder sob a suprema direção da vontade geral; e recebemos enquanto corpo, cada membro como parte indivisível do todo”.

Eis a “vontade geral”, a força possível de se submeter sem perder a liberdade. No lugar da pessoa particular de cada contratante, ergue-se um corpo moral e coletivo, um “Soberano”, um “eu” comum, a unidade possível de um Povo. Esse é o ato fundante do Estado Civil, cuja base não é outra senão a “vontade geral” do Povo que se sobrepõe as vontades particulares – essa última a razão da corrupção, do egoísmo e do fim da própria sociedade.

  • Para que ocorra o contrato social este deve ser consensual e estabelecido entre iguais.
  • Aliás, esse é o único contrato que não pode ser votado, toda a assembleia deve estar de acordo, pois quem não estiver será um estrangeiro.
  • A única saída para que a liberdade não fique constrangida pelas vontades particulares é o pacto através do qual os homens se submetem à “vontade geral”.
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Quando esses criam o Estado é justamente para sair da miséria criada pela sobreposição da vontade particular à vida, e elevar-se a uma condição moral superior. Para Rousseau, e para o horror dos burgueses, é na esfera pública que a liberdade deve estar garantida; o homem que caminha pela sua cidade quando bem quer, conversando e refletindo sobre filosofia e literatura com seus iguais, e se preparando para a próxima assembleia, pensando as leis do país, esse é um homem livre.

A espera privada, por sua vez, não pode dar ao homem a verdadeira liberdade, pois ela é individual e está garantida sem nenhum esforço, não é um problema verdadeiro, afinal, sentir-se livre na esfera privada não acrescenta em nada ao bem comum, motivo fundamental da associação entre os homens. O contrato social rousseauniano, do ponto de vista legislativo, é um salto de qualidade à reflexão sobre liberdade.

Pois sendo o Estado o instrumento de governo da “vontade geral”, suas leis só podem ser expressão da liberdade de seu povo, pois é ele quem dá legitimidade, em suas assembleias, às leis. Seguindo a frase do autor, “um homem que segue suas próprias leis é um homem livre”.

Igualmente será livre um povo que segue as leis que ele mesmo escolhe. Ao contrário da teoria de Hobbes, na qual a lei é um constrangimento à liberdade, em Rousseau a lei é a expressão dessa mesma. Por sua vez, o principal constrangimento à liberdade colocado pelo filósofo é a dependência material, por exemplo, de uma criança em relação a sua família.

Contudo, no momento em que os filhos saem de casa e vão viver por conta própria estão libertos. Justamente por isso os homens só podem ser livres quando dependerem deles mesmos e, para isso, devem se guiar pela “vontade geral”, pois essa é a vontade soberana de um povo.

A contradição tipicamente hobbesiana entre o indivíduo que quer fazer o que bem entende e a sociedade que o limita e constrange, é resolvida por Rousseau questionando se essa vontade do indivíduo é legítima, pois ela é excessivamente particular, e na verdade, não é expressão da liberdade, mas é um desvio moral que é preciso se alertar, pois é justamente essa vontade particular que corrompe os homens.

Sendo fruto de um contrato, todos os membros da sociedade quando percebem que o Estado não está se guiando pela “vontade geral” e não mais cumpre com a razão de sua criação, podem desfazer a sociedade e voltar ao “estado de natureza”. Antes disso, é possível também destituir os membros do governo e dar-lhe novos.

  • Para o Rousseau os governantes são funcionários do povo, e se eles não cumprem com sua função devem sair do cargo.
  • Contudo, é preciso cuidado com a metáfora do governante-funcionário, pois essa tarefa é apenas executiva, deve garantir a efetivação da “vontade geral”, mas quem é a voz é o povo, e este tem que falar.

Isso nos leva ao debate da representação que para Rousseau é uma falsa ideia, pois a vontade geral não é representável, ou delegável a outrem que não seu fundamento: o próprio povo. Ou este exerce a soberania e dita o que deve ser feito ou ele apenas acha que é livre quando, na verdade, é escravo de seus representantes.

A “vontade geral” não se representa, ela é a mesma, pela voz dos contratantes, ou é outra. Essa questão é cara para nossa atualidade pois vivemos numa democracia representativa, e seguindo esse pressuposto rousseauniano a democracia só é efetiva se ela é extremamente participativa. Para o autor, creio que ele diria, o que vivemos no Brasil e na maioria absoluta das democracias modernas é uma forma de governo próxima da aristocracia eletiva, e o grau de liberdade é baixo, pois apenas votamos nos que realmente governam e não governamos.

Aliás o dito comum que chama a atenção do cidadão que só é livre na hora do voto é de autoria do filósofo já em meados de 1760: “o povo inglês pensa ser livre; está muito enganado, pois só o é durante a eleição dos membros do parlamente; tão logo estes são eleitos, ele é escravo, é nada”.

  • A principal questão da representação é que a vontade geral é impossível de representar.
  • Pois na prática o conjunto de eleitos vão inevitavelmente se guiar pela vontade particular do próprio conjunto e não do todo do corpo político (os cidadãos e os membros do governo), afinal quando há representantes os cidadãos já não fazem mais parte do corpo político, apenas o escolhem.

Para Rousseau o próprio governo executivo, tende a sobrepor as vontades particulares a “vontade geral”, pois é uma tendência inevitável que deve ser controlada pelos cidadãos que, como dito, podem substituir a qualquer momento os membros do governo. Já uma Câmara de Debutados representativa é uma aberração e significa o declínio da República.

  • Vale dizer que o único papel do corpo político no qual a vontade particular e a vontade geral estão imbricados de maneira a ser aceito é o do legislador.
  • Esse que escreve e elabora as leis, deve ser escolhido pelo povo por ser um homem valoroso e de aptidões individuais excepcionais.
  • O próprio Rousseau foi legislador, e fez a constituição da Ilha de Córsega, local, diz ele, “onde reina a democracia e um Estado de cidadãos valorosos, o único lugar que promete grandes avanços ao mundo ocidental”.

Julgamento que se confirmou parcialmente correto, pois foi da Córsega que veio Napoleão, o Príncipe modernizador de toda a Europa, décadas após a morte do filósofo. Essa tendência ao corrompimento do governo dá movimento cíclico, como em Maquiavel, a vida política dos homens.

  • Para Rousseau as Repúblicas, o Povo, são como os homens: envelhecem com vícios difíceis de mudar, sendo preciso morrer e renascer para começar um novo ciclo virtuoso.
  • É preciso uma revolução, uma guerra civil, para alterar os vícios de um Povo.
  • Ainda em consonância com Maquiavel, o ator reconhece que, apesar de não existirem formas de governos nem perfeitas nem perversas em si, a monarquia carrega uma tendência maior, por conta do excesso de poder do monarca, a degeneração.

Pois o interesse pessoal dos Reis se sobrepõe inevitavelmente a vontade geral. Isso é o que Maquiavel fez ver com evidência, nos alerta o moderno filósofo. Saudando o italiano defensor da República tal qual ele, Rousseau afirma que “ao fingir dar lições aos reis deu grandes lições aos povos”.

  1. Por fim, Rousseau é um pioneiro em muitas elaborações que fazem parte da vida política atual.
  2. Uma delas, e das mais importantes, é a defesa do Estado laico.
  3. Afirma o autor que o Estado deve ser tolerante com as religiões que forem também tolerantes com o conjunto de crenças diferentes entre si no seio do Povo.

Avançando o sinal, para Rousseau a religião é uma questão da esfera privada e não tem nada que ver com o Estado. Por conta dessa elaboração, ao final do Livro IV de “O Contrato Social”, o filósofo pagou caro, pois foi expulso de vários países, inclusive de sua terra natal.

  • Mesmo que ainda, na mesma parte, advirta que um Estado Religioso cujos cidadãos através de sua crença amem seus deveres, as leis e a vontade geral, seja um Estado virtuoso; e se esse Estado garantir através da religião esse dogma, está garantida a liberdade.
  • Rousseau foi perseguido pelas suas ideias e atividades políticas.

E certamente o romântico e o realista sempre andaram juntos. : Reflexões sobre a leitura de “O Contrato Social” de Jean-Jacques Rousseau
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Em que aparecem as principais ideias de Jean-Jacques Rousseau em sua obra O Contrato Social?

Resposta: e) A única esperança de garantir os direitos de cada indivíduo é a organização da sociedade civil, cedendo todos os direitos à comunidade, para que seja politicamente justo o que a maioria decidir.
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Qual o principal objetivo da obra o contrato social?

O livro pretende mostrar qual é o fundamento da ordem social. Ela não vem do direito natural, nem da força, mas de uma convenção, o pacto social. O homem perdeu a liberdade original. Rousseau procura explicar o que torna essa mudança legítima.
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Qual é a finalidade do contrato social?

Qual é a função do contrato social? ‍ O contrato social é o documento que define quem são os sócios e responsáveis legais da empresa, no qual todos os envolvidos na criação do empreendimento devem definir as condições de funcionamento da sociedade. Trata-se da certidão de nascimento de um negócio.
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Qual foi a principal ideia defendida por Rousseau?

Principais Ideias – Rousseau era a favor do “contrato social”, forma de promover a justiça social que dá nome a sua principal obra. Apregoava que a propriedade privada gerava a desigualdade entre os homens. Segundo ele, os homens teriam sido corrompidos pela sociedade quando a soberania popular tinha acabado.
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Qual é o pensamento de Rousseau?

“O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado” é a frase que tornou o filósofo político genebrino Jean-Jacques Rousseau mundialmente conhecido. GENEBRA, 28 de junho de 2012 (ACNUR) – “O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado”. A frase inicial da obra O Contrato Social tornou o filósofo político genebrino Jean-Jacques Rousseau mundialmente conhecido. Mas hoje, quando comemoramos os 300 anos de seu nascimento, nos perguntamos até que ponto o pensamento rousseauniano ainda é relevante.

  1. E ainda o que ele poderia nos ensinar sobre o trabalho do Alto Comissáriado das Nações Unidas para Refugiados, que tem sua sede em Genebra.
  2. Rousseau nasceu em 28 de junho de 1712 em uma família de refugiados franceses protestantes.
  3. A cidade suíça de Genebra, que ofereceu abrigo a milhares de huguenotes perseguidos a partir do século 16, deixou nele marcas profundas.

O filósofo não apenas dedicou à cidade – que fica às margens do lago Léman – seu segundo “Discurso”, como também assinava suas obras como “Cidadão de Genebra”. Ainda assim, sua relação com sua terra natal não foi simples. Orfão ainda criança, Rousseau passou muitos anos de um lado para outro, vivendo na casa de diferentes empregadores, clientes e amantes, trabalhando como balconista, entalhador e professor particular.

Rousseau saiu da obscuridade em 1749, quando ganhou um concurso de ensaios, argumentando que o progresso do conhecimento e da cultura levavam à corrupção do comportamento humano. Ele publicou seu primeiro grande trabalho político, o Discurso sobre a desigualdade, em 1755, a partir do qual escreveu O Contrato Social e Émile,

As duas obras foram desprezadas por autoridades e intelectuais, sendo queimadas publicamente em Paris e Genebra. Convencido de que era alvo de conspiração, Rousseau viajou pela Europa, decidindo estabelecer-se nos arredores de Paris, onde morreu isolado aos 66 anos.

  • Embora o trabalho de Rousseau seja fruto de seu tempo, ele deixou contribuições chave para a teoria e a prática da política moderna.
  • Uma questão esteve no centro de seu pensamento: Como o homem pode viver livremente dentro da sociedade? O pensamento de Rousseau surgiu de sua noção sobre a natureza humana.

Contrapondo alguns de seus precursores e contemporâneos (como Montesquieu e Hobbes), ele acreditava que os seres humanos possuíam uma bondade inata, e que cuidar de si não excluía a preocupação com o bem-estar alheio. O filósofo também argumentava que todos os homens eram socialmente iguais.

  1. E as desigualdades eram criações artificiais de sistemas sociais baseados na propriedade privada e no trabalho organizado – sistemas que permitiram a dominação e exploração de algumas pessoas por outras.
  2. Embora Rousseau seja visto por alguns como o pai da democracia moderna – e foi, sem dúvida, influente na evolução do pensamento democrático – ele tinha ideias muito específicas sobre formas de governo.

Ele era favorável a democracia direta, na qual os cidadãos tinham igual responsabilidade em concordar com as leis que os governavam. Seu argumento era apoiado no exemplo de Genebra, pequena cidade-Estado onde a democracia direta poderia ser estabelecida.

  1. O pensamento de Rousseau desempenhou um papel importante na promoção da noção de direitos humanos, o que é fundamental para o trabalho do ACNUR.
  2. Muitos filósofos anteriores, do jurista e filósofo holandês Hugo Grotius até o inglês Hobbes, tinham concebido noções sobre direitos em termos de posse, poder ou de construções societárias legais.

Em contraste, a insistência de Rousseau na liberdade fundamental dos seres humanos em seu “estado natural” contribuiu para a noção moderna de que indivíduos têm direitos inalienáveis​​, independentemente do seu lugar na sociedade. Esta noção é claramente refletida nos documentos do século 20, como a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

  1. Rousseau não chegou a formular uma teoria de relações internacionais, mas muitos dos princípios ajudaram a delinear o pensamento moderno na área.
  2. A primeira vista, parece que o pensamento rousseauniano teria preferido que os Estados permanecessem independentes uns dos outros tanto quanto possível, porque ele acreditava que a dependência era a raíz de todo conflito.

Em situações de guerra, por exemplo, ele era descrente sobre a motivação dos legisladores e, certamente, teria sido crítico à intervenção das grandes potências. O mundo mudou significativamente da época de Rousseau para cá. Seus ideais de unidade interna e independência dos Estados estão desatualizados em um mundo globalizado, caracterizado por migrações em massa, diásporas e movimentos sociais transnacionais.

  1. Por isso, fica aberto a interpretação se Rousseau teria abraçado a noção de governança global ou do estabelecimento de organizações internacionais como as Nações Unidas.
  2. Rousseau não antecipou o conceito de intervenção humanitária.
  3. No entanto, ele acreditava firmemente na compaixão intrínseca da humanidade e no desejo das pessoas em contribuir para o alívio do sofrimento alheio.

A vida e a obra de Rousseau permanecem altamente relevantes para o trabalho do ACNUR, assim como de outras organizações humanitárias que têm sua sede na cidade onde ele nasceu. Por Rachel Humphris em Geneva Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter
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O que defendia a obra O Contrato Social Quem é o autor?

‘O Contrato Social’ é considerado uma das obras fundamentais da filosofia política. Rousseau parte do pressuposto de que é impossível retornar ao estado de natureza. O homem em estado de natureza participa de uma condição sem lei nem moralidade.
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O quê Rousseau valorizava?

Jean-Jacques Rousseau Na história das ideias, o nome do suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) se liga inevitavelmente à Revolução Francesa. Dos três lemas dos revolucionários – liberdade, igualdade e fraternidade -, apenas o último não foi objeto de exame profundo na obra do filósofo, e os mais apaixonados líderes da revolta contra o regime monárquico francês, como Robespierre, o admiravam com devoção.

O princípio fundamental de toda a obra de Rousseau, pelo qual ela é definida até os dias atuais, é que o homem é bom por natureza, mas está submetido à influência corruptora da sociedade. Um dos sintomas das falhas da civilização em atingir o bem comum, segundo o pensador, é a desigualdade, que pode ser de dois tipos: a que se deve às características individuais de cada ser humano e aquela causada por circunstâncias sociais.

Entre essas causas, Rousseau inclui desde o surgimento do ciúme nas relações amorosas até a institucionalização da propriedade privada como pilar do funcionamento econômico. O primeiro tipo de desigualdade, para ele, é natural, o segundo deve ser combatido.

  1. A desigualdade nociva teria suprimido gradativamente a liberdade dos indivíduos e em seu lugar restaram artifícios, como o culto das aparências e as regras de polidez.
  2. Ao renunciar à liberdade, o homem, nas palavras de Rousseau, abre mão da própria qualidade que o define como humano.
  3. Ele não está apenas impedido de agir mas também privado do instrumento essencial para a realização do espírito.

Para recobrar a liberdade perdida nos descaminhos tomados pela sociedade, o filósofo preconiza um mergulho interior rumo ao autoconhecimento. Porém isso não se dá por meio da razão, e sim da emoção (leia mais no quadro abaixo), e traduz-se numa entrega sensorial à natureza.

Havia mais desacordo do que harmonia entre Rousseau e os outros pensadores iluministas que inspiraram os ideais da Revolução Francesa (1789). Voltaire (1694-1778), Denis Diderot (1713-1784) e seus pares exaltavam a razão e a cultura acumulada ao longo da história da humanidade, mas Rousseau defendia a primazia da emoção e afirmava que a civilização havia afastado o ser humano da felicidade.

Enquanto Diderot organizava a Enciclopédia, que pretendia sistematizar todo o saber do mundo de uma perspectiva iluminista, Rousseau pregava a experiência direta, a simplicidade e a intuição em lugar da erudição – embora, mesmo assim, tenha se encarregado do verbete sobre música na obra conjunta dos filósofos das luzes.

Também o misticismo os opunha: Rousseau rejeitava o racionalismo ateu e recomendava a religião natural, pela qual cada um deve buscar Deus em si mesmo e na natureza. Com o tempo, as relações entre Rousseau e seus contemporâneos chegou ao conflito aberto. Voltaire fez campanha pública contra ele, divulgando o fato de ter entregue os filhos à adoção.

Os seguidores mais fiéis de Rousseau seriam os artistas filiados ao Romantismo. Por meio deles, suas ideias influenciaram profundamente o espírito da época. No Brasil, por exemplo, José de Alencar escorou seus romances indigenistas no mito rousseauniano do bom selvagem.

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Bom selvagem Até aqui o pensamento de Rousseau pode ser tomado como uma doutrina individualista ou uma denúncia da falência da civilização, mas não é bem isso. O mito criado pelo filósofo em torno da figura do bom selvagem o ser humano em seu estado natural, não contaminado por constrangimentos sociais – deve ser entendido como uma idealização teórica.

Além disso, a obra de Rousseau não pretende negar os ganhos da civilização, mas sugerir caminhos para reconduzir a espécie humana à felicidade. Não basta a via individual. Como a vida em sociedade é inevitável, a melhor maneira de garantir o máximo possível de liberdade para cada um é a democracia, concebida como um regime em que todos se submetem à lei porque ela foi elaborada de acordo com a vontade geral.

Não foi por acaso que Rousseau escolheu publicar simultaneamente, em 1762, suas duas obras principais, Do Contrato Social – em que expõe sua concepção de ordem política – e Emílio ( leia mais no quadro abaixo) – minucioso tratado sobre Educação, no qual prescreve o passo a passo da formação de um jovem fictício, do nascimento aos 25 anos.

O objetivo de Rousseau é tanto formar o homem como o cidadão, diz Maria Constança Peres Pissarra, professora de filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A dimensão política é crucial em seus princípios de Educação. Não há escola em Emílio, mas a descrição, em forma vaga de romance, dos primeiros anos de vida de um personagem fictício, filho de um homem rico, entregue a um preceptor para que obtenha uma Educação ideal.

O jovem Emílio é educado no convívio com a natureza, resguardado ao máximo das coerções sociais. O objetivo de Rousseau, revolucionário para seu tempo, é não só planejar uma Educação com vistas à formação futura, na idade adulta, mas também com a intenção de propiciar felicidade à criança enquanto ela ainda é criança.

Método natural e educação negativa Rousseau dividiu a vida do jovem – e seu livro Emílio – em cinco fases: lactância (até 2 anos), infância (de 2 a 12), adolescência (de 12 a 15), mocidade (de 15 a 20) e início da idade adulta (de 20 a 25). Para a pedagogia, interessam particularmente os três primeiros períodos, para os quais Rousseau desenvolve sua ideia de Educação como um processo subordinado à vida, isto é, à evolução natural do discípulo, e por isso chamado de método natural.

  • O objetivo do mestre é interferir o menos possível no desenvolvimento próprio do jovem, em especial até os 12 anos, quando, segundo Rousseau, ele ainda não pode contar com a razão.
  • O filósofo chamou o procedimento de Educação negativa, que consiste, em suas palavras, não em ensinar a virtude ou a verdade, mas em preservar o coração do vício e o espírito do erro.

Desse modo, quando adulto, o ex-aluno saberá se defender sozinho de tais perigos. Dependência das coisas Rousseau via o jovem como um ser integral, e não uma pessoa incompleta, e intuiu na infância várias fases de desenvolvimento, sobretudo cognitivo.

Foi, portanto, um precursor da pedagogia de Maria Montessori (1870-1952) e John Dewey (1859-1952). Rousseau sistematizou toda uma nova concepção de Educação, depois chamada de escola nova e que reúne vários pedagogos dos séculos 19 e 20, diz Maria Constança. Para Rousseau, a criança devia ser educada sobretudo em liberdade e viver cada fase da infância na plenitude de seus sentidos – mesmo porque, segundo seu entendimento, até os 12 anos o ser humano é praticamente só sentidos, emoções e corpo físico, enquanto a razão ainda se forma.

Liberdade não significa a realização de seus impulsos e desejos, mas uma dependência das coisas (em oposição à dependência da vontade dos adultos). Vosso filho nada deve obter porque pede, mas porque precisa, nem fazer nada por obediência, mas por necessidade, escreveu o filósofo em Emílio.

Um dos objetivos do livro era criticar a Educação elitista de seu tempo, que tinha nos padres jesuítas os expoentes. Rousseau condenava em bloco os métodos de ensino utilizados até ali, por se escorarem basicamente na repetição e memorização de conteúdos, e pregava sua substituição pela experiência direta por parte dos alunos, a quem caberia conduzir pelo próprio interesse o aprendizado.

Mais do que instruir, no entanto, a Educação deveria, para Rousseau, se preocupar com a formação moral e política. Biografia Jean-Jacques Rousseau nasceu em Genebra, Suíça, em 1712. Sua mãe morreu no parto. Viveu primeiro com o pai, depois com parentes da mãe e aos 16 anos partiu para uma vida de aventureiro.

Foi acolhido por uma baronesa benfeitora na província francesa de Savoy, de quem se tornou amante. Converteu-se à religião dela, o catolicismo (era calvinista). Até os 30 anos, alternou atividades que foram de pequenos furtos à tutoria de crianças ricas. Ao chegar a Paris, ficou amigo dos filósofos iluministas e iniciou uma breve mas bem-sucedida carreira de compositor.

Em 1745, conheceu a lavadeira Thérèse Levasseur, com quem teria cinco filhos, todos entregues à adoção – os remorsos decorrentes marcariam grande parte de sua obra. Em 1756, já famoso por seus ensaios, Rousseau recolheu-se ao campo, até 1762. Foram os anos em que produziu as obras mais célebres ( Do Contrato Social, Emílio e o romance A Nova Heloísa ), que despertaram a ira de monarquistas e religiosos.

  1. Viveu, a partir daí, fugindo de perseguições até que, nos últimos anos de vida, recobrou a paz.
  2. Morreu em 1778 no interior da França.
  3. Durante a Revolução Francesa, 11 anos depois, foi homenageado com o translado de seus ossos para o Panteão de Paris.
  4. Para pensar Por incrível que pareça, Rousseau, ao criar o mito do bom selvagem, acabou dando argumentos para negar a importância ou o valor da Educação.

Afinal, a Educação é antes de tudo ação intencional para moldar o homem de acordo com um ideal ou um modelo que a sociedade, ou um segmento dela, valoriza. A Educação aceita a natureza, mas não a toma como suficiente e boa em princípio. Se tomasse, não seria necessária.

  1. Se você comparar, por exemplo, as ideias de Rousseau e as de Émile Durkheim (1858-1917), verá que, nesse sentido, eles estão em extremos opostos.
  2. Para o sociólogo francês, tema de outro capítulo desta edição, a função da Educação era introduzir a criança na sociedade.
  3. Para saber + De Emílio a Emilia, Marisa del Cioppo Elias, 208 págs., Ed.

Scipione, tel.4003-3061, 51,90 reais Emílio ou Da Educação, Jean-Jacques Rousseau, 742 págs., Martins Editora, tel. (11) 3116-0000 (edição esgotada) Rousseau – A Educação na Infância, Ana Beatriz Cerizara, 176 págs., Ed. Scipione, 36,50 reais Rousseau – A Política como Exercício Pedagógico, Maria Constança Peres Pissarra, 120 págs., Ed.
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O que defendia a obra o contrato social Quem é o autor?

‘O Contrato Social’ é considerado uma das obras fundamentais da filosofia política. Rousseau parte do pressuposto de que é impossível retornar ao estado de natureza. O homem em estado de natureza participa de uma condição sem lei nem moralidade.
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Quem foi Rousseau e o que ele defendia?

Rousseau foi um filósofo contratualista. A ideia de contrato social parte do pressuposto de que há um estado de natureza. O estado de natureza é um estado hipotético em que não há nenhum tipo de intervenção moral, política ou social. O fim do estado de natureza se dá com a formação de um contrato ou pacto social.
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